Cícero Cattani
13 jun 2017

Moro e Cabral. “Governantes ricos e governados pobres”

Fausto Macedo/Estadão

Ao condenar o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB-RJ) a 14 anos e 2 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato, o juiz federal Sérgio Moro destacou a ‘ruína das contas públicas’ do estado e disse que seria uma ‘afronta permitir’ que o peemedebista e outros sentenciados ficassem em liberdade desfrutando do ‘produto milionário de seus crimes’.

Cabral foi acusado por propina de pelo menos R$ 2,7 milhões da empreiteira Andrade Gutierrez, entre 2007 e 2011, referente as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobrás. Esta é a primeira condenação dele na Lava Jato.

Em sentença que condenou o peemedebista, Moro estabeleceu um paralelo entre o ex-governador e os outros condenados, que persistiam ‘fruindo em liberdade do produto milionário de seus crimes inclusive com aquisição, mediante condutas de ocultação e dissimulação, de novo patrimônio, parte em bens de luxo’, e a população do Rio de Janeiro, que está submetida a ‘tamanhos sacrifícios, com aumentos de tributos e corte de salários e de investimentos públicos e sociais’.

“Uma versão criminosa de governantes ricos e governados pobres”, anota o magistrado.

O juiz Moro condenou ainda o ex-secretário do governo do peemedebista Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho – 10 anos e 8 meses – e o ‘homem da mala’ Carlos Miranda – 10 anos – por corrupção e lavagem de dinheiro. Mônica Carvalho, mulher de Wilson Carlos, também foi absolvida.

A ex-primeira-dama Adriana de Lourdes Ancelmo foi absolvida ‘das imputações de crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro por falta de prova suficiente de autoria ou participação’.

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