Cícero Cattani
05 nov 2017

A síndrome da campanha de longa duração


Nas duas vezes em que concorreu ao governo, Osmar Dias teve o irmão Alvaro como uma pedra em seu caminho. O cenário pode se repetir em 2018? Osmar não se mostra disposto a ceder aos interesses do irmão


Por terem disparados na frente na corrida pelo Iguaçu, resta saber agora quem será o candidato cavalo paraguaio  do páreo, isto é, quem terá mais fôlego para chegar, pelo menos, até abril do ano que vem: Cida Borghetti, Ratinho Júnior ou Osmar Dias? Nas corridas sempre há possibilidade de aparecer um azarão e levar –  no caso  – a eleição governamental de tala erguida.

A estratégia de começar a campanha eleitoral tão cedo, porém, pode ser um tiro no pé a longo prazo, segundo o cientista político da PUC-PR Másimo Della Justina. Segundo ele, o eleitor pode acabar encantado com o “fator novidade” de uma candidatura lançada mais perto da eleição do ano que vem.

“O fator novidade pode influenciar, mesmo quando você tem uma qualidade democrática perceptível daqueles que estão no poder ou cumprindo seus mandatos. O eleitor brasileiro se encanta com a novidade, sair do marasmo, do tédio e outras coisas”, explica.

Outro aspecto que pode prejudicar os pré-candidatos é a fadiga, segundo Justina. “A proposta é repetitiva, não há muita novidade, o que o candidato pensa que é novidade, na verdade, o eleitor percebe que é só uma forma de poder”, explica.

Quanto mais longa a campanha, mais pedras no caminho. Os percalços de  Osmar Dias têm nome, o irmão Alvaro. Nas duas campanhas anteriores, Osmar teve que esperar até a undécima hora para poder se lançar candidato, diante das indefinições do mano mais velho. Ou porque Alvaro relutava em ser candidato ao governo, em 2006,  ou, em 2010,  se seria o vice de José Serra.

Agora, Alvaro Dias se lança candidato a presidente pelo Podemos e quer Osmar no seu palanque. Ocorre que o partido de Osmar é o PDT, que tem Ciro Gomes como candidato.

“Estou preparado para ser governador. Eu me preparei, estudei o Estado, estou com projeto pronto. Mas tem que analisar essa situação nova, ela realmente é complicadora”, observa Osmar, em plena campanha.

Diante do impasse, já há quem aposte em Osmar Dias fazendo dupla com Roberto Requião para as duas vagas do Senado. Hipótese pouco provável.

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