Cícero Cattani
22 jul 2018

Sem MDB, Osmar pode enfrentar isolamento na disputa

Por  Catarina Scortecci, De Brasília/GP –

Embora o ex-senador Osmar Dias (PDT) apareça como um dos principais nomes da corrida ao governo do Paraná – divide com Ratinho Jr, (PSD) o primeiro lugar na pesquisa de intenção de voto feita em abril pelo Ibope* -, as alianças costuradas pelos adversários do pedetista até aqui podem reduzir sua “presença” na campanha eleitoral, período no qual militância, tempo de televisão e dinheiro dos partidos políticos podem influenciar na disputa.

O deputado estadual Ratinho Jr. já conta com o apoio, por enquanto extraoficial, de PSD, PSC, PR, PV, PRB, PHS e Avante. A ex-deputada federal Cida Borghetti (PP), hoje no cargo de governadora do Paraná, ensaia uma composição que reúne PP, PSDB, DEM, PTB, PSB, Pros, PMN e PMB. Já Osmar Dias trabalha com um leque menor de siglas. Tem conversado com o MDB do senador Roberto Requião, o Podemos do irmão Alvaro Dias, e com o Solidariedade (SD).

Outras siglas – como o PPS de Rubens Bueno e o PSL de Fernando Francischini – podem apoiar qualquer das três candidaturas, mas ainda não bateram o martelo.

Se as alianças até aqui desenhadas forem de fato costuradas – o período de convenções segue até o próximo dia 5 -, Cida arrastaria com ela 148 prefeitos de municípios do Paraná, eleitos em 2016. Ratinho teria o apoio de 101 chefes de administrações locais na sua campanha eleitoral. Já o PDT, sozinho, contaria com o palanque de apenas 31 prefeitos de municípios.

Mas, na hipótese de aliança com o MDB, o cenário muda de forma significativa para Osmar Dias: apenas a sigla de Requião encabeçou 76 chapas vitoriosas nas disputas municipais de 2016. Ou seja, MDB e PDT, juntos, teriam 107 prefeitos de cidades do interior do Paraná, estrutura equivalente ao leque de sete siglas ao redor de Ratinho.

Em termos de militância, o MDB também tem peso. Enquanto o PDT tem hoje no Paraná cerca de 100 mil filiados, o MDB é a legenda de mais de 240 mil pessoas. Os números são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Tanto Osmar Dias quanto Roberto Requião já sinalizaram que preferem caminhar juntos. A despeito disso, o casamento não saiu ainda. Mas um desfecho para a novela tem data: até dia 5 de agosto, quando termina o prazo para os partidos políticos em todo o Brasil promoverem suas convenções.

Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, na sexta-feira (20), em Brasília, Osmar admitiu que busca a aliança com o MDB, mas que permanece em direção às urnas independente do tamanho da sua coligação. “Quem não gostaria de ter a estrutura do MDB na campanha? Inúmeros prefeitos, deputados, militantes, um partido histórico. Mas, isso tem que passar por todo um entendimento”, ponderou o pedetista.

Segundo ele, o tal “entendimento” se refere à construção de uma aliança “em cima de um projeto de Estado”, sem o fisiologismo característico da maioria das siglas, no qual se prioriza a divisão de cargos. Por causa disso, ainda segundo ele, a formação de uma composição não é fácil. “Eu não fecho aliança com facilidade mesmo. As pessoas dizem que eu sou sistemático, que eu sou turrão. Ora, se conversar com seriedade é ser turrão, então eu sou”, justificou ele, antecipando temas que possivelmente pretende explorar durante a campanha eleitoral.

Mas, questionado sobre onde haveria divergência nas conversas com o MDB “em torno de um projeto de Estado”, Osmar preferiu o silêncio. Alega que são temas internos, discutidos apenas no âmbito partidário. “Faltam detalhes”, desconversou ele.

No sábado (21), em entrevista à imprensa durante a convenção estadual do MDB, em Curitiba, o senador Roberto Requião também admitiu que, na hipótese de aliança, a prioridade é o PDT. Também reforçou que se trata de um debate em torno de programas para o Paraná.

Requião sustenta que é preciso saber “como será a distribuição de lucros da Copel, a tarifa da Sanepar, que política nós temos para o agronegócio, para a agricultura familiar”. “Em cima disso vamos discutir a possibilidade de uma coligação”, discursou ele.

Sem outra opção com densidade eleitoral, o MDB cogitou indicar o próprio senador para a disputa ao governo do Paraná. Requião não nega, contudo, que gostaria de tentar mais um mandato no Legislativo. “Minha preferência pessoal é continuar o trabalho que eu faço em Brasília”, revelou ele.

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