Cícero Cattani
02 mar 2018

Segurança: Nesta foto está faltando o Beto Richa


Análise: A oito meses das eleições, não é mais a economia, estúpido. É a segurança pública. Preocupação crescente da população com a violência e sensação de medo deram ao tema protagonismo na pré-campanha eleitoral. Vale lembrar que Beto Richa não participou do encontro dos governadores com Michel Temer e Raul Jngmann. Na agenda,  plano nacional de segurança.


Por Gabriel Cariello

RIO — Os indícios de recuperação econômica, o crescimento nos últimos anos da preocupação com a violência e os resultados do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) em levantamentos sobre intenções de voto ajudam a explicar, segundo cientistas políticos e diretores de institutos de pesquisas ouvidos pelo GLOBO, o protagonismo recente da segurança pública no debate eleitoral.

A intervenção federal no Rio de Janeiro fez o tema convergir para o centro gravitacional da atuação do governo, e os presidenciáveis passaram a orbitar a discussão sobre o combate à criminalidade. A oito meses das eleições, não “é a economia, estúpido”, como disse James Carville, estrategista de Bill Clinton em 1992, que parece levar ao Palácio do Planalto. É a segurança pública.

— O tema está na agenda de forma contundente. Quase metade dos brasileiros identifica a presença de facções criminosas no lugar onde mora. Há uma sensação crescente de medo — diz Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha. — Como a economia, que sempre é protagonista das eleições, vem mostrando alguma estabilidade, e a população começa a perceber isso, segurança, saúde e educação podem assumir o protagonismo que não tiveram nas eleições anteriores.

O Ibope também identificou o tema como uma das preocupações centrais do país. Levantamento divulgado no último dia 15 mostra que 38% dos entrevistados se queixavam da segurança pública. Um ano antes, eram 19%.

— O emprego continua sendo o problema número 1 para o brasileiro, seguido por corrupção, saúde e segurança. Mas a segurança veio crescendo e passou a ser uma demanda. Se fizer a pesquisa só no Rio, é possível que seja a questão principal — afirma Márcia Cavallari, diretora do Ibope.

Leonardo Barreto, doutor em ciência política pela UnB, observa que a decisão de intervir na segurança do Rio ocorreu depois que Bolsonaro se manteve na liderança das pesquisas sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O deputado tem como bandeira o armamento da população. Para Barreto, com a medida, o governo colocou o tema na pauta das discussões até dezembro.

— Caso a intervenção dê algum resultado, será dito que o país tem um presidente forte, sem medo de usar os instrumentos que estão à disposição. A violência já está na pauta há muito tempo, mas, no carnaval, teve um surto de casos no Rio, e o prefeito e o governador não estavam na cidade. O pessoal de Brasília teve a percepção de que havia uma sensação de vazio de poder, que poderia contaminar o debate público e mostrar o Brasil como um país abandonado. O intuito, então, foi de construção de autoridade.

Eurico Figueiredo, da UFF, lembra que segurança é um tema desde os anos 1980:

— É um problema nacional, transversal, presente nas comunidades mais carentes e nos bairros mais ricos. Quem falar só para a classe média perde a eleição.

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