Cícero Cattani
08 jun 2017

Riquixá. Licitação de ônibus cobriu rombo de R$ 250 milhões

Mesmo a PGR refugando abertura de inquérito contra detentores prerrogativas de foro citados na apuração da máfia dos ônibus e devolvendo o processo à promotoria estadual, o MP do Paraná assegura em nota publicada pelo blog  que “A Operação Riquixá apura a existência de organização criminosa especializada na prática de irregularidades no transporte público em diversas cidades do estado e de outras unidades da Federação. Os fatos levantados na investigação seguem sendo apurados e os processos já ajuizados na Justiça tramitam normalmente

Na delação que fez ao MP, o advogado Sacha Reck, que atuava em favor dos empresários de ônibus, revela que o edital da licitação foi publicado em 29 de dezembro de 2009. Poucos dias antes, segundo Reck, representantes das empresas, da Urbs e da prefeitura já haviam se reunido para acertar condições negociadas entre as partes, o que comprovaria o conluio entre elas.

A combinação entre Setransp e Urbs começou, segundo o delator, já em 2008, quando o então diretor de transporte da Urbs teria passado ao empresário Dante Gulin – então vice-presidente do Setransp – informações sobre a futura licitação e recebia “sugestões” por parte das empresas. “Foi constrangedor”, disse Reck sobre uma reunião com troca de informações.

Segundo  o delator Sacha Reck, as empresas reunidas no Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana tiveram acesso exclusivo ao edital da licitação de 2010 – cujo resultado vale até hoje – durante sua elaboração.

Mesmo após terem quase todas suas “sugestões” rejeitadas pela Urbs, as empresas conseguiram manipular vários pontos do edital conforme seus interesses, diz Reck.

O edital da licitação foi publicado em 29 de dezembro de 2009. Poucos dias antes, segundo Reck, representantes das empresas, da Urbs e da prefeitura já haviam se reunido para acertar condições negociadas entre as partes, o que comprovaria o conluio entre elas.

Reck conta que participou de um encontro entre empresários e o chefe de Gabinete do então prefeito Beto Richa, Deonilson Roldo, no apartamento do hoje deputado federal Osmar Bertoldi, da Viação Mercês, para acertar os últimos detalhes. Antes, o Capo di tutti capi da máfia dos ônibus, Dante Gulin, tinha estado com Beto Richa, na prefeitura.

O que emperrava o fechamento do acordo, no entanto, era de como Beto Richa faria para cobrir um rombo de cerca de R$ 250 milhões de um fundo municipal para subsidiar as passagens em Curitiba.,inclusive a “domingueira” a um real. O demagógico represamento das tarifas  garantiu a  eleição e a reeleição de Beto Richa à prefeitura.

De tanto ir à fonte, que ela secou. Richa não queria deixar a prefeitura para concorrer ao governo com aquele rombo  pondo em xeque a fama de bom administrador. Era imprescindível encontrar a solução. Ela veio com a primeira licitação da exploração do transporte coletivo em Curitiba, saudada com um avanço.

Como toda outorga tem um pagamento, ficou combinado que as empresas pagariam pelas concessões os cerca de R$ 250 milhões e a conta do rombo se  fechava.

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