Cícero Cattani
10 set 2018

Richa, Traiano e aliados no caixa dois da Odebrecht


Segundo ex-executivo da Odebrecht, R$ 4,4 milhões foram doados ilegalmente para as campanhas de Beto Richa, Ademar Traiano, Plauto Miró, Tiago Amaral e Alex Canziani. 


Giulia Fontes, Gazeta do Povo

A denúncia acolhida pelo juiz Sérgio Moro na última quarta-feira (05), no âmbito da Operação Lava Jato, deu origem a uma ação penal que trouxe, em seu conjunto de documentos, informações a respeito de um possível envolvimento de outros políticos no esquema que teria, segundo o Ministério Público Federal (MPF), favorecido a Odebrecht na licitação das obras na PR-323. Um dos depoimentos anexados ao processo – que é público e ao qual a Gazeta do Povo teve acesso – aponta suposto favorecimento a nomes próximos ao ex-governador Beto Richa (PSDB).

Luciano Ribeiro Pizzatto, que foi Diretor de Contrato na empreiteira e aderiu ao acordo de leniência firmado pela empresa, afirma que R$ 4,4 milhões teriam sido doados via caixa 2 para as campanhas do próprio Richa; dos deputados estaduais Ademar Traiano (PSDB), Plauto Miró (DEM) e Tiago Amaral (PSB); e do deputado federal Alex Canziani (PTB) em 2014. Todos negam envolvimento no caso. A reportagem ressalta que os deputados e o ex-governador são apenas citados no depoimento, isto é, não foram denunciados pelo MPF nem figuram como réus neste caso.

De acordo com Pizzatto, os repasses ilegais ocorreram depois que o consórcio integrado pela Odebrecht apresentou, na licitação, a proposta para a realização das obras na PR-323. As doações teriam sido intermediadas por Jorge Atherino que, segundo o relato de outro ex-executivo da empresa, Benedicto Junior, seria o responsável por pedir dinheiro para a campanha de Richa em 2014. Atherino, Junior e o próprio Pizzatto são réus na ação penal aberta por Moro na semana passada.

Segundo o ex-executivo, a maior parte do valor acertado, R$ 4 milhões, teria sido destinado para a campanha de Richa. Já a campanha de Ademar Traiano teria recebido R$ 150 mil; as de Plauto Miró e Tiago Amaral, R$ 100 mil; e a de Alex Canziani, R$ 85 mil. Os recursos, de acordo com Pizzatto, não foram contabilizados, isto é, foram repassados via caixa 2. As senhas e os locais para a entrega dos recursos teriam sido entregues a Atherino e a interlocutores de Traiano, Amaral e Canziani , além do próprio deputado Plauto.

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