Cícero Cattani
25 jun 2018

Richa na Justiça. Moro vê corrupção, não “mero caixa dois”


“Portanto, os fatos possivelmente se enquadram no crime de corrupção, de lavagem de dinheiro (pelo emprego dos mecanismos de ocultação e dissimulação do Setor de Operações Estruturadas) e ainda de ajuste fraudulento de licitação”, Sergio Moro.


Por José Vianna e Thais Kaniak, RPC Curitiba e G1 PR, Curitiba –

O juiz federal Sérgio Moro remeteu, nesta segunda-feira (25), o inquérito relacionado ao ex-governador do Paraná e pré-candidato ao Senado, Beto Richa (PSDB), à Justiça Eleitoral.

Contudo, no despacho, Moro afirma que a competência é a Justiça Federal e não da Justiça Eleitoral. Moro é responsável pelos processos da Operação Lava Jato na 1ª instância.

O inquérito apura suposto caixa dois nas campanhas eleitorais de 2008, 2010 e 2014. No entanto, Moro afirma que “não se trata de mero caixa dois de campanha”.

Para o juiz, houve pagamento de vantagens financeiras por solicitação de agente público – o ex-chefe de gabinete de Beto Richa, Deonilson Rodo.

Há indícios, de acordo com Moro, de “contrapartida à vantagem financeira”, ou seja, de corrupção.

Moro diz que, mesmo que “seja prematura qualquer conclusão antes do encerramento das investigações”, há prova de que os pagamentos em 2014 tiveram “presente contrapartida específica”.

“Portanto, os fatos possivelmente se enquadram no crime de corrupção, de lavagem de dinheiro (pelo emprego dos mecanismos de ocultação e dissimulação do Setor de Operações Estruturadas) e ainda de ajuste fraudulento de licitação”, afirma Moro.

“De todo modo, tendo a Corte Especial entendido que caberá à Justiça Eleitoral avaliar se há competência exclusiva ou concorrente ou agregue-se nenhuma competência, não há alternativa a este Juízo se não remeter os autos à Justiça Eleitoral para que profira sua avaliação, esperando-se, respeitosamente, que devolva os autos oportunamente para o prosseguimento das investigações por crime de corrupção, lavagem e fraude à licitação, como aliás, também se posicionaram o MPF e a autoridade policial”, diz um trecho da decisão de Moro.

O G1 tenta contato com a defesa de Beto Richa.

Recurso da defesa
A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu um recurso da defesa de Richa e determinou que o inquérito que trata das delações da Odebrecht fosse encaminhado para a Justiça Eleitoral do Paraná. A decisão é do dia 20 de junho.

A investigação foi para a primeira instância depois que Richa renunciou ao cargo de governador, em abril deste ano, para disputar as eleições e perdeu o foro privilegiado.

A defesa do ex-governador recorreu do envio do processo à Justiça Federal e, por unanimidade, os ministros do STJ decidiram que essa parte do inquérito que estava com Moro deve ser analisada exclusivamente pela Justiça Eleitoral.

O caso trata principalmente da duplicação da PR-323 e investiga suposto favorecimento à Odebrecht em troca de dinheiro para a campanha de reeleição de Richa ao governo, em 2014.

À época, por meio de nota, Beto Richa afirmou que a decisão do STJ “é perfeita e justa, ao reconhecer a competência exclusiva da Justiça Eleitoral, onde os fatos serão devidamente esclarecidos”.

Áudios indicam direcionamento de licitação
Áudios entre Deonilson Roldo, e um construtor que teria interesse em participar de uma licitação do projeto de duplicação da PR-323, indicam que o governo Richa atuou na tentativa de direcionar a licitação para a Odebrecht na obra à época da sua reeleição para governador, em 2014.

O custo total da obra, que seria realizada no noroeste do Paraná, ficaria em R$ 7 bilhões. A Odebrecht venceu a licitação, mas o projeto nunca saiu do papel.

O construtor é Pedro Rache, diretor-executivo da Contern, uma construtora do grupo Bertin, que teria interesse em participar da licitação.

A governadora Cida Borghetti (PP) determinou a exoneração de Deonilson Roldo de diretor da Copel e de outros cinco cargos que ocupava no Governo do Paraná.

Comentários

  • joao pedro | 25 jun 2018

    Beto Lixo, canalhas mil vezes canalhas. Justiça eleitoral do Paraná kkkk só rindo.

  • penitenciario | 25 jun 2018

    Ué só agora no encaminhamento pra justiça eleitoral, que o grande sergio moro fala isso ! A defesa do corrupto do betinho fez até festa com o despacho do grande juiz ; o resto da quadrilha também vibrou, como o rossoni, o trairano, o plauto , o tce e todo o tj , outros que vibraram foram o grupelho do ratinho e da cida que têm certeza , que o chefe vai escapar dessa ! Porque o moro não manifestou-se antes ?

  • bs | 25 jun 2018

    É difícil de engaiolar Tucanos

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