Cícero Cattani
10 abr 2018

Quem faz a resistência no acampamento em defesa de Lula


Por Wagner de Alcântara Aragão (texto) e Lindrielli Rocha Lemos (foto), da Rede Macuco (www.redemacuco.com.br)


Diversas lideranças políticas de alto cacife já passaram pelo Acampamento Lula Livre, montado desde a noite de sábado, dia 7, a uma quadra da sede Polícia Federal no Paraná, no bairro Santa Cândida, em Curitiba. Outras mais deverão marcar presença nos próximos dias. Até José Pepe Mujica, ele mesmo, pode dar uma chegada por lá.

Mas, personalidades à parte, o que chama à atenção na vigília em defesa do ex-presidente Lula são as ações, os gestos, as atividades mais corriqueiras, mais cotidianas. Mais simples. E que são a imagem da resistência que pouco a pouco se ergue naquelas ruas até então anônimas.

O cozinhar comunitário, a soneca no colchão para repor as energias, o cheiro do café sendo passado, os abraços no reencontro de velhos companheiros, as trocas de cumprimentos nas apresentações de novos conhecidos, as fotos para postar nos grupos dos amigos e familiares que ficaram nos locais de origem (e é gente de toda a parte do Brasil).

As conversas na fila para usar o banheiro, resenhas essas que vão da política nacional à final do campeonato estadual de futebol; o pentear os cabelos, o brincar com o vira-latas que se junta à concentração candidatíssimo ao cargo de mascote.

O fixar a barraca, o varrer o chão, o crochê para distrair, o contar de causos para se divertir. O reajustar as faixas que se enrolam com o vento, o reposicionar das bandeiras que por vezes se embaralham de tanto tremular.

Tem até o acenar ao policial, que está ali a simbolizar a ameaça da repressão.

Ou simplesmente o deixar o olhar se perder no horizonte.

São esses, e incontáveis flagras mais, que dão vida àquela esquina do Santa Cândida, agora um dos pontos mais visitados do planeta.

A resistência se expressa nos discursos, nas fotos emblemáticas, nas ações judiciais, nas alianças partidárias, nas manifestações pela internet, nas camisetas, nos brados, nos cartazes. No prestígio daqueles que reverberam apoio a Lula.

Todavia, essa resistência à prisão daquele homem que a história está a transformar num mito é retratada fidedignamente nas cenas mais triviais. São elas que revelam quem, de fato, sustenta a mobilização. Sem essas cenas e seus atores, não há luta que perdure.

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