Cícero Cattani
26 out 2017

Quadro Negro. Caso do procurador pode apressar STF

O afastamento do procurador Carlos Alberto Choinski das investigações da Operação Quadro Negro  ainda vai render muito pano para manga. Choinski, que participava da Quadro Negro desde o início do caso, em 2015, afirma que foi repreendido pela Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, após enviar notificações a dois políticos paranaenses. Com a repercussão que ganhou o afastamento do procurador, acredita-se que o STF apresse o julgamento de Beto Richa para ainda este ano.

Segundo ele, o problema começou após enviar notificações ao secretário-chefe da Casa Civil do Paraná, Valdir Rossoni  (foto) e ao deputado estadual Plauto Miró (DEM).

As notificações informavam aos dois que eles tinham sido citados por delatores da Quadro Negro e que seriam investigados por isso. As notificações também liberavam o acesso das defesas ao conteúdo das apurações.

“Logo após as notificações das autoridades, eu fui chamado no gabinete do sub-procurador jurídico de assuntos jurídicos, doutor Elieser Gomes da Silva, onde fui repreendido verbalmente por ter feito a notificação dessas autoridades. Nessa ocasião ele me disse que eu teria cometido uma quebra de confiança com a instituição”, conta.

A Operação Quadro Negro apura desvios de dinheiro na construção de escolas públicas no Paraná. Segundo as investigações, há suspeita de que a fraude tenha movimentado cerca de R$ 20 milhões. O processo já se encontra no Superior Tribunal de Justiça, a quem cabe apurar as denúncias contra o governador Beto Richa. Outro envolvido com foro privilegiado é  o conselheiro Durval Amaral, atual presidente do Tribunal de Contas.

Segundo já noticiado,  governador foi citado na delação do dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, que afirmou que os recursos desviados de obras em escolas estaduais foram repassados a lideranças do PSDB para que fossem utilizados na campanha de reeleição do governador Beto Richa (PSDB), em 2014. Eduardo Lopes de Souza disse, em delação, que teria participado de reunião na casa de Beto Richa para acertar detalhes sobre como faria os repasses.

Ele contou aos procuradores que o dinheiro era entregue em uma mochila e em caixas de vinho ao então diretor da Superintendência de Desenvolvimento Educacional (Sude) Maurício Fanini. O empresário também afirmou que fez repasses a Richa depois das eleições de 2014, já visando uma eventual campanha do governador para o Senado. Os contratos da Valor com o governo estadual que são investigados somaram R$ 32 milhões

Faça um Comentário