Cícero Cattani
25 set 2018

Pesquisa Ibope: Sob ataque, Bolsonaro estaciona em 28%; Haddad vai a 22%


Levantamento mostra que candidato do PSL parou de crescer, enquanto postulante petista, seu principal adversário, subiu mais três pontos porcentuais nas intenções de voto – 


Daniel Bramatti e Cecília do Lago, O Estado de S.Paulo – 

A pouco menos de duas semanas das eleições 2018, o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, parou de crescer e se manteve com 28% das intenções de voto, enquanto seu principal adversário, Fernando Haddad (PT), subiu mais três pontos porcentuais e chegou a 22%. Os dados são de pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada nesta segunda-feira, 24.

A estabilização de Bolsonaro ocorre em um momento em que se intensificam os ataques de adversários, principalmente de Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT).

Desde o dia 11 de setembro, data em que Haddad foi oficializado como candidato do PT, a vantagem do líder na corrida presidencial sobre ele caiu de 18 pontos porcentuais para 6. O petista é agora o único presidenciável que apresenta tendência de alta em toda a série de cinco pesquisas Ibope divulgadas desde 20 de agosto.

Além de se aproximar do líder, Haddad ampliou a vantagem sobre Ciro, o terceiro colocado, de 8 para 11 pontos porcentuais. O pedetista tem 11% das preferências, mesma taxa da pesquisa anterior do Ibope, divulgada na terça-feira da semana passada, 18.

Alckmin oscilou um ponto para cima, de 7% para 8%. Marina passou de 6% para 5%, mantendo a trajetória de queda iniciada no início do mês, quando chegou a ter 12%.

Depois de uma trégua e de aumento de visibilidade causados pela facada de que foi vítima, em 6 de setembro, o candidato do PSL voltou a ser atacado por adversários em eventos de campanha e na propaganda eleitoral. Bolsonaro também é alvo de movimentos nas redes sociais.

Na semana passada, o tucano usou seu programa eleitoral para acusar Bolsonaro de planejar “um tiro” na classe média e nos pobres – referência à proposta de recriação da CPMF para tributar operações financeiras. A medida foi cogitada por Paulo Guedes, principal assessor econômico do candidato do PSL, em um encontro com investidores. Alckmin também associou a polarização entre PT e Bolsonaro ao “risco de o Brasil se tornar uma Venezuela”. Ciro Gomes, em evento de campanha em Goiânia, chamou o líder das pesquisas de “nazista”.

Bolsonaro está na frente em todas as regiões do país, com exceção do Nordeste, onde Haddad tem o dobro de sua taxa de intenção de votos (34% a 17%). Em termos geográficos, a principal mudança em relação à pesquisa anterior aconteceu na região Sul, onde o petista subiu de 11% para 19%, enquanto seu principal adversário caiu de 38% para 30%.

A rejeição a Bolsonaro passou de 42% para 46% em uma semana. A seguir no ranking da rejeição – parcela do eleitorado que diz não votar no candidato de jeito nenhum – aparecem Haddad (30%), Marina (25%), Alckmin (20%) e Ciro (18%).

A pesquisa capta os efeitos de três semanas de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Também registra os efeitos de quase duas semanas da troca de Luiz Inácio Lula da Silva por Fernando Haddad na cabeça da chapa petista. A candidatura de Lula foi indeferida pela Justiça Eleitoral, com base na Lei da Ficha Limpa, já que ele foi condenado em duas instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro.

O Ibope foi às ruas entre os dias 22 e 23 de setembro. Foram entrevistadas 2.506 pessoas em 178 municípios. A margem de erro estimada é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Isso quer dizer que há 95% de chance de os resultados refletirem o atual momento eleitoral. A pesquisa foi contratada pelo Estado e pela TV Globo. O registro no Tribunal Superior Eleitoral foi feito sob o protocolo BR‐06630/2018. /COLABORARAM CAIO SARTORI, ALESSANDRA MONNERAT e LUIZ FERNANDO TOLEDO

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