Cícero Cattani
11 set 2018

Patrulha do Campo leva Beto e Fernanda Richa à prisão


Delação do ex-diretor do DER, Nelson Leal Junior, embasou operações do Gaeco e da PF deflagradas nesta terça-feira – 


Por Felippe Aníbal, Gazeta do Povo – 
 

A prisão do ex-governador e candidato ao Senado Beto Richa (PSDB) é decorrente da colaboração premiada do ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) Nelson Leal Junior e da investigação sobre um programa de manutenção em estradas rurais no interior do estado, o “Patrulha do Campo”. Além de Richa, foram presos membros do primeiro escalão do antigo governo, inclusive a mulher dele e ex-secretária de Estado, Fernanda Richa.

Apontado como próximo de Richa, Leal Junior havia sido preso em fevereiro, na 48ª fase da Operação Lava Jato. Em maio, o ex-diretor do DER firmou termo de delação premiada, em que detalhou um “esquema de corrupção sistêmico” no governo do Paraná. Entre os anexos, estão relatos de fraudes que teriam ocorrido ao longo da execução do “Patrulha do Campo”.

O programa havia sido lançado em 2012, na primeira gestão de Richa. O projeto disponibilizava máquinas – como tratores, niveladoras e escavadeiras – a consórcios de municípios, para ajudar nos reparos e manutenções das estradas rurais. As suspeitas são de que tenha havido direcionamento nas licitações para contratar as empresas que forneciam o maquinário – a Cotrans, a Terra Brasil e a Ouro Verde.

Além disso, a investigação apura lavagem de dinheiro e pagamento de propina a um núcleo do governo, entre 2012 e 2014, também no âmbito do “Patrulha do Campo”. As empresas também são alvo das apurações.

“O governo do Estado do Paraná possuía um esquema sistêmico de arrecadação de vantagem indevida junto a diversas empresas que possuíam contratos com o Poder Público”, consta da delação.

Batizada de “Rádio Patrulha”, a operação foi deflagrada nesta terça-feira (11), pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão ligado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR). No total, foram expedidos 15 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão, nas cidades de Curitiba, Londrina, Santo Antônio do Sudoeste e Nova Prata do Iguaçu.

Entre os presos estão o ex-secretário de Infraestrutura Pepe Richa (irmão de Beto), o ex-chefe de gabinete de Beto, Deonilson Roldo, e o ex-secretário Especial de Cerimonial, Ezequias Moreira.

PR-323
A delação de Nelson Leal Junior também embasa uma operação paralela, deflagrada pela Polícia Federal (PF), nesta terça-feira (11). Segundo a PF, foi coincidência a realização das duas operações, com alvos semelhantes, na mesma data.

Batizada de “Piloto” em alusão ao codinome pelo qual Richa era identificado nas planilhas de propina de Odebrecht, a operação está relacionada ao direcionamento da licitação da Parceria Público-Privada (PPP) da rodovia PR-323, no Noroeste do Paraná.

Na semana passada, o juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, havia aceitado denúncia contra agentes próximos a Richa – incluindo Deonilson Roldo – em decorrência da PPP da PR-323. Além da delação de Leal Junior, a denúncia era embasada pela colaboração de outros executivos da Odebrecht, que relataram um “acerto de corrupção” com o governo Richa: em troca do direcionamento da licitação, a empreiteira pagaria R$ 4 milhões ao então governador, por meio de Roldo.

Segundo os delatores, R$ 3,5 milhões chegaram a ser efetivamente repassados, em parcelas pagas entre setembro e outubro de 2014. Segundo o sistema de contabilidade de propinas da Odebrecht, foram feitos três repasses de R$ 500 mil e dois de R$ 1 milhão a uma conta identificada como “Piloto”. Para os investigadores, este seria Richa – em alusão à paixão do ex-governador pelo automobilismo.

“Essas práticas faziam parte de um esquema maior de solicitações sistêmicas de vantagem indevida junto a diversas empresas que possuíam contratos com o Poder Público no governo estadual do Paraná desde o primeiro mandato do governador Carlos Alberto Richa, tendo diminuído no segundo mandato por conta da operação Lava Jato, mas não acabado”, consta da denúncia aceitada por Moro.

Foto: Jonathan Campos

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