Cícero Cattani
11 nov 2015

Paraná terá 28 centrais de energia

AEN:

O Paraná terá mais 28 empreendimentos geradores de energia, entre Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs), termoelétrica e biodigestor, todas com licença prévia já concedidas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Juntos esses empreendimentos representam um investimento estimado de R$ 920 milhões e devem gerar 183,4 MW.

Ao anunciar o investimento, em solenidade nesta quarta-feira (11), o governador Beto Richa afirmou que a construção dessas unidades geradoras de energia é especialmente importante em um momento em que o Estado recebe um fluxo forte de investimentos nacionais e internacionais.

“Estamos trabalhando para defender e preservar e meio ambiente. Mas acreditamos que é possível conciliar desenvolvimento econômico, com preservação ambiental e inclusão social”, disse Richa.

A energia a ser gerada pelas novas unidades é suficiente para atender 735 mil pessoas. Os empreendimentos são privados, mas podem se ligar à rede de distribuição de energia da Copel vendendo o excedente que não for aproveitado ou atuando no mercado paralelo. Dos 28 projetos, 20 contam com o apoio da agência paranaense do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

A iniciativa foi autorizada por lei proposta pelo Governo Estadual, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Beto Richa no último dia 28 de outubro. “Em que pese as dificuldades de estrutura, estamos trabalhando para atender a demanda dessas autorizações”, afirmou Richa. Ele anunciou, também, o reforço de estrutura do o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que fará um concurso para contratação de 163 técnicos, dando mais agilidade às análises dos projetos.

Dos 28 projetos, 13 são de Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGH), 12 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), uma Usina Hidrelétrica com capacidade de produção de 32 MW, uma Usina Termoelétrica de geração de energia elétrica a biogás com capacidade de produção de até 10 MW, um biodigestor de lodo de esgoto e resíduos orgânicos.

IMPACTO – O presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto, ressaltou que os projetos têm um impacto importante principalmente aos municípios. “Esses empreendimentos estão localizados em regiões de IDH muito baixo, em cidades pobres, com carência de desenvolvimento. A indenização aos proprietários das terras, a mão de obra necessária para as obras vão gerar benefícios para esses locais”, disse ele. “Para o Estado, desde que retomamos os licenciamentos, já contamos com mais 2.400 MW liberados, o que gera impacto forte não apenas para o Paraná mas para o setor energético do Brasil todo”, acrescentou.

RESPONSABILIDADE – O secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Ricardo Soavinski, afirmou que, com o licenciamento dessas geradoras, o Paraná dá a sua contribuição para minimizar a crise energética. “Mas é importante ressaltar que essas autorizações foram feitas com muito critério, com muita responsabilidade. O desafio é conciliar o desenvolvimento e a questão do meio ambiente e essas autorizações mostram que estamos conseguindo fazer isso” completou.

EMPREGO – Os empreendimentos devem criar 450 empregos diretos e até 3 mil, se consideradas também as vagas indiretas e de efeito renda, de acordo com projeção do diretor de assuntos ambientais da Associação Brasileira de Fomento às Pequenas Centrais Hidrelétricas (ABRAPCH), Pedro Luiz Fuentes Dias.

De acordo com ele, em municípios menores, a instalação de uma unidade de geração de energia pode até multiplicar por três o Produto Interno Bruto (PIB) da cidade. Além do impacto social, com geração de emprego e renda em municípios menores, as unidades de geradora também ajudam a movimentar a cadeia de equipamentos, que é nacional. “É um setor sem risco cambial”, afirmou.

MUNICÍPIOS – Os empreendimentos serão construídos em 30 municípios: Guarapuava, Assis Chateaubriand, Nova Aurora, São José dos Pinhais, Fazenda Rio Grande, Jesuítas, Tupãssi, Nova Aurora, Telêmaco Borba, Ortigueira, Salto do Lontra, Cruzeiro do Iguaçu, Castro, Coronel Domingos Soares, Itaguajé, Colorado, Tibagi, Catanduvas, Porto Vitória, Ubiratã, Rancho Alegre do Oeste, Lobato, Paranacity, Cruzeiro do Sul, Boa Ventura de São Roque, Verê, São João, Anahy, Iguatu, Manoel Ribas e Pitanga.

A construção dos empreendimentos está sujeita ao cumprimento das normas ambientais do município, Estado e União. A lei também condiciona, para antes da concessão de licença de operação, a comprovação do efetivo pagamento da indenização das terras e das benfeitorias dos proprietários diretamente atingidos pelo empreendimento.

PROCURA – Atualmente há um forte impulso por investimentos em projetos de energia no Paraná. Pelo menos 250 pedidos de construção tramitam no Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Juntos, os empreendimentos somam R$ 8,3 bilhões em investimentos e 1.116 MW, energia suficiente para atender uma cidade com 2 milhões de habitantes, como Curitiba, de acordo com cálculo da ABRAPCH. São projetos que podem gerar 18 mil empregos diretos e indiretos em dois anos.

DIÁLOGO – As licenças para a construção e o funcionamento de empreendimentos de geração de energia no Paraná foi suspensa em 2003 pelo Governo do Estado. Em 2011, o IAP retomou as análises dos pedidos de licenciamentos ambiental e de construção. Até junho desse ano, o IAP já licenciou duas eólicas, 5 usinas hidrelétricas, 28 PCHs e 28CGHs que somam juntos cerca de 1200 MW.

Ivo Pugnaloni, presidente da ABRAPCH, ressalta que o Governo do Paraná retomou, na gestão de Beto Richa, o diálogo com o setor privado. “Desde 2011 o governo tem encorajado as PCHs a fim de ampliar a capacidade de geração de energia, fator essencial para o programa de industrialização por que passa o Estado”, disse ele.

Comentários

  • Vagner Marcos Oliveira | 28 out 2016

    Pois é, mais uma promessa não cumprida. Cadê o concurso do IAP? Não acredito em nada que esse governador promete.

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