Cícero Cattani
26 out 2017

Paraná – a busca da impunidade teve efeito contrário

Por Ruth Bolognese

– Abriu-se um abismo entre as tentativas do governo Beto Richa para abafar as investigações do Ministério Público sobre desvios de recursos públicos e a realidade.

Os quatro os homens mais poderosos do estado – governador Beto Richa, presidente da Assembleia, Ademar Traiano, chefe da Casa Civil Valdir Rossoni e o primeiro secretário da AL, Plauto Miró Guimarães – se aproximaram ainda mais do inevitável: vir à público explicar as irregularidades.

Os quatro são responsabilizados pelo Ministério Público do Paraná pelo desvio de mais de R$ 20 milhões de recursos destinados a reformas e construção de escolas públicas. Grande parte desse dinheiro teria ido parar na campanha de reeleição de Beto Richa em 2014. Trata-se aqui da Operação Quadro Negro.

Diante de uma delação já homologada em Brasília pelo STF, outra a caminho, e o prosseguimento das investigações determinada pelo Superior Tribunal de Justiça, STJ, os quatro homens poderosos colocaram em marcha o velho e manjado expediente: fazer valer o poder político, filho dileto das relações quase nunca republicanas entre os Poderes.

Era a última, e definitiva, cartada. A manobra fica evidente através de uma pergunta apenas: por que o procurador- geral do Ministério Público do Paraná, Ivonei Sffogia, iria afastar o promotor Carlos Alberto Choinski de uma investigação na área cível que ele comanda há mais de 2 anos? E logo agora que o resultado do trabalho da equipe chefiada por ele se aproxima do final, com excelentes resultados?

A longa carta do promotor Chionski encerra todas as dúvidas. E, se os quatro homens poderosos estavam apavorados com as investigações, agora devem estar assombrados também.

Ficou claro como água que o procurador-chefe do Ministério Público do Paraná agiu conforme a cadeia de comando do Palácio Iguaçu.

Mais cristalino ainda aparece o pavor que causa entre eles uma simples notificação do MP para que os quatro se expliquem, exclusivamente, sobre o uso do dinheiro público. E estamos falando apenas sobre questões administrativas, de gestão, sem entrar, ainda, na esfera criminal.

Nenhum paranaense precisa saber dos detalhes (sórdidos) da Operação Quadro Negro. Nem dos meandros essencialmente técnicos do trabalho do promotor Chionski, que dura dois anos.

O que os paranaenses já podem concluir é que uma boa parte dos recursos para melhorar o ensino público no Paraná foram desviados. E com a participação dos quatro homens que deveriam justamente resguardar a finalidade.

A busca da impunidade foi frenética nos últimos dias. As consequências das manobras , porém, mostraram que a efervescência causada colocou o procurador-chefe do Ministério Público do Paraná numa posição desconfortável, para dizer o mínimo. E o quatro poderosos do Palácio Iguaçu muito mais perto das explicações sobre a própria atuação na Operação Quadro Negro.

Eis aí um dever de Estado e um direito de todos os paranaenses. (Contraponto)

Compartilhe:

Faça um Comentário