Cícero Cattani
07 jun 2018

Os amigos do “BR” (lll). Traiano: “não pode me dar mais?”


  • Deputado Ademar Traiano, ao ver a mala com mais dinheiro do que tinha combinado de receber, teria reagido com a seguinte frase: “Não pode me dar mais?” Compare a delação homologada  do dono da Valor à do ex-diretor da Secretaria de Educação do governo Richa. Tal e qual. 

Por  Fabiano Klostermann e Felippe Aníbal/Gazeta do Povo 

O dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, afirmou em delação premiada firmada junto à Procuradoria Geral da República (PGR) que o deputado estadual Ademar Traiano (PSDB) – atualmente presidente da Assembleia Legislativa –foi beneficiado por dinheiro do esquema investigado pela Operação Quadro Negro. Em um dos pagamentos feitos ao político, o empresário relatou que Traiano, ao ver a mala com mais dinheiro do que tinha combinado de receber, teria reagido com a seguinte frase: “Não pode me dar mais?”

Segundo o delator, uma reunião que definiu repasse de “caixa 2” a campanha de Traiano em 2014 foi realizada na casa do governador Beto Richa (PSDB), a 45 dias do pleito. Participaram do encontro, segundo Souza, o próprio Traiano, o então diretor da Superintendência de Educação (Sude), Maurício Fanini, e o governador. Na mesma ocasião, foi definido um repasse via doação não contabilizada também para a campanha de reeleição de Richa.

No texto de sua delação, o dono da Valor disse que foi instado pelo então diretor da Sude a doar para Traiano, pois outra empresa que tinha obras na Secretaria da Educação já tinha “ajudado” com R$ 50 mil. Souza então disse ter se comprometido a doar R$ 100 mil e fez a entrega no gabinete da liderança do governo na Assembleia Legislativa. Nesta entrega, no relato do delator, Traiano teria visto a mala com R$ 300 mil e pedido mais que o combinado, mas Souza disse que respondeu que o restante do dinheiro estava comprometido para a campanha de Richa.

Meses depois, em dezembro de 2014, Souza relata outro pedido de propina feito por Traiano, desta vez em um café num shopping de Curitiba. O pagamento, também de R$ 100 mil, foi feito segundo o delator também no gabinete da liderança do governo na Assembleia e seria utilizado para quitar dívidas de campanha. A promessa do deputado tucano a Souza foi de que ele seria o próximo presidente do Legislativo e poderia ajudá-lo.

O delator disse que foi demandado por Traiano também em fevereiro de 2015, desta vez sob a alegação de que a empresa do filho estava com problemas de caixa. Mais R$ 100 mil foram pagos a ele, segundo o relato do dono da Valor. Em abril daquele mesmo ano, delatou Souza, o então já presidente da Assembleia teria sido procurado por causa de atrasos nos pagamentos à construtora. Após a regularização dos repasses, foram pagos mais R$ 100 mil ao tucano, desta vez com entrega na casa dele, com o dinheiro acondicionado em caixas de vinho.

Além do pagamento de caixa 2 à campanha do governador, o delator também detalhou o pagamento de “mesada“ a Richa, que tinha como objetivo financiar a campanha dele ao Senado em 2018.

Eduardo Lopes de Souza é um dos denunciados no principal processo derivado da Quadro Negro e estava em prisão domiciliar até o mês passado, quando foi liberado pela Justiça para se mudar para Cuiabá, no Mato Grosso.

Segundo Eduardo Lopes de Souza, além de ter recebido recursos de propina da Valor, Ademar Traiano virou um dos principais interlocutores do delator junto ao governo após a deflagração da Operação Quadro Negro. Em um dos trechos da delação, o dono da Valor relata que o deputado – já presidente da Assembleia – ficou responsável por “resolver” o problema para o governo estadual. E que manteve contato com ele em várias ocasiões, cerca de uma vez por mês.

Nesse meio tempo, Traiano teria prometido, segundo Souza, que o governo iria providenciar os recursos para que a Valor contratasse uma outra empresa para concluir as obras e assim cumprir um acordo costurado com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

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Comentários

  • marco Prof. | 07 jun 2018

    Precisamos extirpar todos estes urubus políticos do mapa. Funcionários Públicos, não podemos esquecer dos Deputados do Camburão. Fora com eles da próxima eleição.

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