Cícero Cattani
06 jun 2018

Os amigos de “RB”: “Grego” fazia corretagem

Por Catarina Scortecci, De Brasília/GP –

Um empresário de Curitiba, Jorge Atherino (foto), já apareceu em três grandes escândalos de corrupção envolvendo o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB). Ele é citado na delação da Odebrecht, na Operação Superagui, e também na Operação Quadro Negro.

De acordo com a delação do ex-executivo da Odebrecht Benedicto Júnior, foi Jorge Atherino quem entrou em contato com a empreiteira para pedir dinheiro à campanha de reeleição de Beto Richa, em 2014.

O “BJ”, como é conhecido, relatou aos investigadores que, em julho daquele ano, foi Jorge Atherino quem procurou Luciano Ribeiro Pizzatto (um dos nomes do escritório da Odebrecht em Curitiba) para pedir dinheiro. Neste contexto, “BJ” disse que aprovou R$ 4 milhões para a campanha do tucano, via caixa 2. Ao menos R$ 2,5 milhões teriam sido efetivamente repassados, ainda segundo ele.

A campanha do PSDB vem negando ter recebido tal quantia. O caso começou a ser investigado sob o guarda-chuva do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas, atualmente, está nas mãos do juiz federal Sergio Moro, da 13ª Vara Criminal de Curitiba.

Jorge Atherino também aparece na Operação Superagui, que começou em Paranaguá e depois seguiu ao STJ. Ele é dono da RF Participações Ltda, sócia da Green Logística Ltda, que teria se beneficiado por um decreto de 2014, assinado pelo então governador do Paraná, Beto Richa, para viabilizar a construção de um pátio de caminhões no Litoral.

Agora, na Operação Quadro Negro, o nome de Jorge Atherino ressurge, no âmbito da proposta de delação do engenheiro civil Maurício Fanini, que foi diretor de Engenharia, Projetos e Orçamentos da Secretaria da Educação, ao longo do primeiro mandato de Beto Richa no governo do Paraná, entre janeiro de 2011 e dezembro de 2014.

Preso, Fanini disse a investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) que o “Grego”, como Jorge Atherino é chamado, foi uma das pessoas incumbidas por Beto Richa para ajudá-lo após a demissão do cargo na Secretaria da Educação, em meados de 2015, na esteira da Operação Quadro Negro.

A partir de então, e até meados de 2017, Fanini relata que passou a receber das mãos do empresário uma quantia mensal de R$ 12 mil para permanecer em silêncio.

Beto Richa e o empresário rejeitam a narrativa de Fanini. Em vídeo, o ex-governador do Paraná disse que delinquentes tentam arrastá-lo para a cena do crime. A defesa de Jorge Atherino, em relação à Operação Quadro Negro, informou que ele já prestou esclarecimentos ao Ministério Público e que permanece à disposição das autoridades. No entanto, como o caso está em sigilo, preferiu não se manifestar à imprensa.

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