Cícero Cattani
21 jul 2017

Operação Quadro Negro. Dinheiro ia para Moçambique

(Com informações do G1/RPC)

Uma sexta-feira de cão para Beto Richa, com duas bombas de alto poder destrutivo ameaçando seu futuro político.  Enquanto são divulgados o teor da delação homologada pelo STF, na Operação Quadro Negro, cinco envolvidos na Operação Publicano eram condenados, entre eles, Marcio de Albuquerque, copiloto de Richa. O governador teria sido beneficiado por propinas para sua campanha de 2014.

Operação Quadro Negro

 Delação premiada de Vanessa Domingues, considerada “laranja” da empreiteira Valor,  além de Richa, estão sendo investigados o presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano (PSDB); o Primeiro-Secretário Plauto Miró (DEM); o deputado Tiago Amaral (PSB); o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Durval Amaral; e o irmão do governador José “Pepe” Richa (PSDB). O dinheiro era para alimentar o caixa de campanha eleitoral.Segundo a delatora, parte do dinheiro desviado da construção de escolas era destinados à compra de dólares que eram enviados para Moçambique, na África. O beneficiário, nesse caso, não teve o nome revelado em virtude do “foro privilegiado”.

Supremo Tribunal Federal (STF) enviou à 9ª Vara Criminal de Curitiba os documentos referentes à delação de Vanessa Domingues, ex-secretária da Construtora Valor. A empresa foi alvo da Operação Quadro Negro, deflagrada em 2016, para apurar supostos desvios de dinheiro na construção de escolas estaduais no Paraná. Segundo as investigações, a fraude passa de R$ 20 milhões.

O acordo de Vanessa foi fechado junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), por citar nomes de políticos que possuem prerrogativa de foro. A delação dela foi homologada pelo ministro Luiz Fux.

Com a delação, Vanessa recebeu alguns benefícios da Justiça. Ela não poderá ser presa preventivamente por fatos criminosos realizados antes da homologação do acordo. Caso seja condenada, a pena não pode passar de quatro anos de prisão e deve ser cumprida, inicialmente, em regime aberto.

Na delação, a ex-secretária se comprometeu a contar tudo o que sabia sobre crimes que tenham sido praticados contra a administração pública, entre eles, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Além dos depoimentos, ela teve que apresentar provas da existência desses crimes.

A RPC teve acesso a um dos depoimentos encaminhados à Justiça, em Curitiba. A 9ª Vara Criminal de Curitiba é responsável pelos processos que não envolvem pessoas com foro privilegiado.

No documento, os nomes das pessoas citadas por Vanessa foram borrados pela PGR e não é possível saber de quem se trata.

A ex-secretária mostrou provas de cinco depósitos bancários realizados entre 2014 e 2015. Somados, eles passam de R$ 200 mil. O dinheiro, segundo Vanessa, foi usado para comprar dólares em espécie, que foram levados a Moçambique, na África.

Em 2015, logo depois que o esquema foi descoberto, Vanessa já tinha falado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) sobre saques suspeitos, realizados pelo dono da empresa, Eduardo Lopes de Souza, para o pagamento de propina. O depoimento da época foi gravado em vídeo.

“Ele mandou alguns valores para mim em conta, porque não tinha talonário de cheque ainda. Aí, eu ia no banco, no mesmo dia, e sacava esse valor e dava para ele. Todos esses valores, é tudo do poder público”, afirmou à época.
A Justiça do Paraná precisava dessas informações para dar andamento aos processo, que estava parado há oito meses. Agora, o caso segue para a fase de alegações finais, quando a defesa e a acusação vão apresentar as razões pelas quais os réus devem ser condenados ou absolvidos.

 Operação Publicano

Cinco pessoas foram condenadas por improbidade administrativa, nesta quinta-feira (20). A decisão faz parte de um dos processos da Operação Publicano, que apura pagamento de propina a servidores da Receita Estadual do Paraná. O grupo também foi condenado a perda dos cargos públicos que ocupam. Ainda cabe recurso.

Esta foi a primeira decisão em âmbito cível da Operação Publicano. Há ainda outros processos em curso na justiça criminal. Segundo as investigações, a fraude pode ter desviado mais de R$ 200 milhões dos cofres do governo estadual.

Comentários

  • Rejane Guimarães Amarante | 22 jul 2017

    O gosto amargo dessas notícias só tem sido amenizado pelas condenações. Aplausos para a Justiça do Paraná, que tem apurado tantos desvios de dinheiro público com eficiência e celeridade. E refiro-me a TODOS os membros da magistratura paranaense e não apenas àquele “popjuiz”.

  • Pedro | 22 jul 2017

    Canalhas, mil vezes canalhas

  • Ângela Almeida | 23 jul 2017

    Quem delata não pode mentir, Vanessa. Como você ousa ofender a honra de santos do DEM e do PSDB? Todos estão prestes a ser canonizados pelo Papa Francisco!

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