Cícero Cattani
13 fev 2018

Propina. Destino de Richa depende do computador na Suíça

O Antagonista apurou que a Polícia Federal teve que solicitar às autoridades suíças outra cópia do sistema Drousys, uma vez que os peritos descobriram violações no arquivo que estava com a PGR.

Integrantes da equipe de Rodrigo Janot não espelharam o equipamento e acessavam diretamente as planilhas com os registros de propina, sem cumprir os protocolos para garantia da integridade da prova.

Os técnicos de Curitiba ficaram estarrecidos quando descobriram que a PGR de Janot guardava os oito HDs enviados pela Suíça numa sacola plástica de mercado.

O sistema chamado Drousysfoi revelado pela delatora da Lava Jato Maria Lúcia Tavares, que era responsável dentro do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht por gerenciar requerimentos de propina e repassá-los aos entregadores, que por sua vez fariam chegar os recursos aos destinatários finais.

A sorte de Beto Richa depende da comprovação comprovação dos valores recebidos da Odebrecht para a campanha de 2014.

De acordo com dois delatores da Odebrecht, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB-PR), recebeu mais de R$ 3 milhões em propina para as campanhas de 2008, 2010 e 2014.

A relação do governador, que recebeu os apelidos de ‘Brigão’ e ‘Piloto’, com a construtora começou em 2008, quando ele se candidatou à Prefeitura de Curitiba pela segunda vez.

Benedicto Junior, ex-executivo da Odebrecht, disse ter autorizado um pagamento de R$ 100 mil a Richa naquela ocasião. O pedido foi feito por Fernando Ghignone, tesoureiro da campanha, a Valter Lana, então diretor de contratos da construtora em São Paulo e no sul do país. “O Valter fez uma colocação de que [Richa] era uma pessoa importante no cenário politico do Paraná, que tinha chances reais de ganhar, e nós fizemos essa doação em dinheiro, via caixa dois, através do setor de operações estruturadas da Odebrecht”, explicou Junior.

Segundo Lana, o pagamento foi realizado em parcela única, em São Paulo, no dia 28 de setembro de 2008. A Odebrecht não tinha obras no Paraná, mas os executivos consideraram importante contribuir com a campanha de Richa porque havia a expectativa de que o Estado poderia vir a ser um bom mercado para construtoras.

Lana voltou a ser procurado por Ghignone em 2010, quando “Brigão” era candidato ao governo do Paraná. Dessa vez a contribuição da empresa para a campanha do tucano foi mais alta. “Foi aprovado o valor de R$ 450 mil reais e definido que era em caixa dois”, esclareceu o delator em depoimento. Naquele ano, também, a construtora não tinha negócios no Paraná. Os dois delatores afirmam que nenhum pedido foi feito a Richa como contrapartida. Valter Lana afirmou que os pagamentos feitos ao tucano eram “contribuições institucionais”.

Em 2014, a empresa conquistou uma concessão para as obras da PR-323, no norte do Estado. Na época, Valter Lana já tinha deixado a Odebrecht e o novo diretor de contratos era Luciano Pizzatto. Alguns meses depois da conquista da concessão, o executivo que estava no Paraná recebeu um novo pedido de contribuição para a campanha de Richa, candidato à reeleição para governador. Dessa vez, segundo Benedicto, o pedido foi feito por Jorge Atherino em nome do comitê de campanha do PSDB local. Rebatizado de “Piloto”, o antigo “Brigão” recebeu, então, R$ 2,5 milhões em caixa dois.

“Nós não tínhamos uma obra especificamente, então optamos por fazer uma alocação num projeto que tinha sido contratado, mas não tinha começado, que era uma rodovia, a PR-323”, explicou o delator. O projeto da rodovia não foi adiante por falta de financiamento. Caso tivesse sido concretizado, “esse valor seria lançado como despesa e ia onerar o projeto, fosse diminuindo a minha margem [de lucro], fosse diminuindo a nossa capacidade de dar desconto”, disse.

Benedicto e Lana entregaram e-mails e planilhas do departamento de propina da Odebrecht como provas de que esses pagamentos foram feitos a Richa.  (O Estado de S. Paulo)

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