Cícero Cattani
15 maio 2018

O silêncio do PSDB sobre as desventuras de Beto Richa

Por Ruth Bolognese/Contraponto

– Ainda lá na reeleição para prefeito de Curitiba, o ex-ministro Euclides Scalco (foto), que havia sido coordenador da campanha, reuniu-se com Beto Richa e impôs uma condição: só permaneceria junto a ele se o agora conhecido como “primo distante”, Luiz Abi Antoun, fosse afastado.

Beto Richa não atendeu o pedido do padrinho de casamento e aliado histórico do pai, José Richa, e nunca mais se falaram. A trajetória política vitoriosa de Beto Richa levou-o ao Palácio Iguaçu e o “primo distante” só apareceu no final do primeiro mandato, depois de denúncias cobre contratação de oficinas mecânicas para os carros oficiais do Governo. Nada que tenha atrapalhado a reeleição.

Apontado como uma das jovens lideranças do PSDB, com futuro brilhante pela frente, a cotação de Beto Richa poderia ter subido muito mais com a hecatombe que acabou com a carreira do mineiro e eterno presidenciável, Aécio Neves. Mas, por falta de vocação, por incompetência ou por preguiça mesmo, o fato é que o ex-governador paranaense nunca conseguiu se impor nacionalmente. Não se tornou, como o pai, uma liderança política no Sul.

Mesmo assim, com os tucanos bicando qualquer alternativa para fugir de Geraldo Alckmin e José Serra, o paranaense poderia a essas alturas ser uma opção para uma candidatura à vice-presidência, por exemplo. Ou como senador eleito, ocupar um ministério num governo de alianças que virá a partir de outubro.

Não vai acontecer. As denúncias que o cercam, o flagrante delito de Deonilson Roldo na tentativa de manipular uma licitação pública de R$ 7 bilhões e a pá de cal do juiz Sérgio Moro mandando a Polícia Federal e o Ministério Público investigar tudo sobre as relações da Odebrecht com o governo Richa, deixam o tucano paranaense sem saída.

O silêncio do PSDB nacional neste final de semana do dia dedicado às mães sobre as desventuras de Beto Richa é ensurdecedor e pragmático. Se tivesse dado mais atenção aos conselhos do padrinho de casamento, talvez o desfecho fosse outro, mais tranquilo e favorável.

Comentários

  • SYLVIO SEBASTIANI | 16 maio 2018

    Hoje não posso, estou com a Clory no Hospital. Depois contarei à você meu amigo Cicero Cattani, a verdadeira história de Euclides Girolamo Scalco

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