Cícero Cattani
16 ago 2017

O dia em que Beto Richa não cumpriu o juramento

Por Ruth Bolognese

– Naquele fatídico dia 29 de Abril eu estava dentro do gabinete da vice-governadora, Cida Borghetti, onde era assessora. Assim como estava, como repórter, no dia em que os cavalos da PM investiram contra os professores no governo Alvaro Dias. Testemunha ocular, portanto.

O aparato montado pelo então secretário de Segurança, delegado Francischini, um personagem que faria sucesso absoluto como colega de filme do Rambo, foi o maior já visto nas imediações do Palácio Iguaçu, inclusive no governo Alvaro Dias. Tão assustador que até um camburão foi necessário para que as Excelências entrassem na Casa do Povo e votassem o pacote de ajuste fiscal do governo Richa. Um vexame difícil de superar em termos de sabugismo e covardia.

Os professores estavam a fim de briga? Estavam, sim. Queriam invadir o Palácio, a Prefeitura, a Assembleia, subir nas árvores, balançar o camburão das Excelências? Sim. Havia uma situação de perigo para os transeuntes e as Excelências que habitam o Centro Cívico? Claro que havia. Ameaçavam com pedras e paus? Óbvio que sim.

Naquele momento de tensão, o governador, que jurou cumprir a Constituição, onde está explícita a função de proteger e defender todos os paranaenses, tomou um lado, o da polícia. Diante de professores dispostos a tudo – mas armados apenas com paus, pedras e muita ousadia – optou pela força infinitamente superior dos comandados por Francischini. E deu a ordem.

As cenas de ensanguentados, mordidos por cães pastores, machucados e humilhados, todo o Paraná conhece. O que certamente levou o governador Beto Richa ao sofrimento, e não há razão para suspeitar que seja falso, foi a de ter protegido apenas um lado do conflito. E de ter rejeitado o lado mais vulnerável, que, afinal, também dependia da decisão dele para não enfrentar PMs armados até os dentes.

O governador alegou que tinha que proteger o patrimônio público da depredação, como prevê também a Constituição. Mas esqueceu que os homens e mulheres que estavam lá eram, também, paranaenses. Quem sofreu as consequências na pele do abandono e da indiferença, foram os 200 feridos. E isso, por mais que a Justiça dê razão para o lado da força, nem o governador, nem os professores vão esquecer aquele 29 de Abril. Por culpa e por rejeição.

Comentários

  • Diego Rodrigues | 16 ago 2017

    Na alta cúpula da PM, circula a informação de que o episódio relacionado ao ex-governador Álvaro Dias teria sido protagonizado não por ele, mas pelo comandante geral na época. Claro que mesmo assim o referido foi quem teria dado a autonomia de forma irreponsável, mas dizem que não foi ele quem deu a última palavra.
    Seria essa uma informação plantada para que ele se torne mais elegível no próxima eleição? Ou seria essa a verdade?
    Quanto ao Beto Richa: é uma criança mimada. Apronta e depois vai chorar as pitangas para a velha guarda da PM e do governo. Responsabilidade? Nem fiscal nem moral.

  • zangado | 16 ago 2017

    O compadrio escabroso de benesses e sinecuras entre os poderes públicos no Paraná faz com que nenhuma punição atinja as altas esferas. Reina aí nessa trincheira, portanto, a irresponsabilização. O auxilio-moradia serviu como moeda de troca para o “ajuste fiscal” que penalizou os servidores, professores e contribuintes.

  • Do Mato | 17 ago 2017

    Pra essa raça quem estava lá era petista ai pode bater em todo mundo pq não são seres humanos ai pode bater não são paraenses mas todos sabemos q são sim e são discriminados pelo governo o lado mais fraco eles vivem onde os fracos não tem vez, só fortes sobrevivem o lado fraco só serve para pagar a conta desses arrogante, pq os mais fortes e ricos só chorar q eles recuam de taxa-los um absurdo neste pais mas dessa forma eles vão iludindo o pais.

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