Cícero Cattani
26 jan 2018

O abcd do momento político paranaense

Quem conhece bem a política paranaense, sabe melhor avaliar o quadro atual.  Duas vezes eleito para a Câmara Federal e uma dos vozes mais fortes do PMDB/MDB, João Arruda (*) analisa para o blog, sem particularizar, o que se projeta para o ano eleitoral de 2018:

a) PMDB eleger apenas dois estaduais e dois federais é exagero. Em 2014, já diziam que não tínhamos chapa ou que a nossa chapa era muito pesada. Elegemos 8 estaduais e 4 federais (1 federal e 1 Estadual com os votos da sobra). Coeficiente eleitoral é matemática . Se o PMDB tivesse coligado com o PSDB, como alguns queriam, seriam seis estaduais e três federais. Temos clareza de que quando o partido lança candidato próprio sempre tem o desafio de construir uma boa chapa, enquanto quem não lança, negocia o apoio da legenda em troca de uma boa coligação.

b)  Vamos trabalhar muito nos próximos dois meses para formar uma chapa e criar condições para lançar candidato próprio. O MDB é uma boa legenda e terá fundo eleitoral para os candidatos a deputado. Amanhã, por exemplo, o Júlio Kuller, que foi candidato a Prefeito de Ponta Grossa (fez 30 mil votos) vai se filiar no MDB para ser candidato a deputado Estadual.

Natural a preocupação de alguns deputados que procuram outras legendas, mas penso que no final, apenas um vai sair. Sem contar que existe a possibilidade de alguém sair para se filiar e comandar um outro partido que vai fazer parte da aliança desse grupo.

c) Já formamos uma frente com seis partidos e, na minha opinião, isso vai se ampliar. Temos dois nomes que estão entre os três nomes mais bem colocados em todas as pesquisas paragovernador e teremos um segundo candidato ao Senado e poderá ser a grande novidade da eleição. A formação de um bloco de oposição com três candidaturas majoritárias viáveis caminha muito bem. Mas, na minha opinião, nessa disputa não haverá apenas um nome de oposição ao atual governo.

e) O PT também pretende lançar candidaturas ao governo e ao Senado. Um professor ou professora podem se destacar para o Senado, por conta dos debates em defesa da educação no centro cívico

d) Nós deputados, somos mais ansiosos, e queremos uma definição rápida, enquanto as lideranças, que pretendem disputar a eleição majoritária, do nosso grupo, querem postergar as decisões oficiais. Só precisamos de mais DR (discutir a relação) interno, sem formalizar as nossas decisões por fora por uma questão de estratégia. Não podemos deixar de aproveitar o fato de que nossos adversários terão q se decidir em março e nós não.

f) A renúncia do governador deixará bem claro quem vai para que no campo majoritário do grupo deles. Já sabemos quem serão os nossos titulares, mas temos tempo para definir em qual posição cada um vai jogar. A partir de março o time deles já estará no campo nas suas posições correndo e brigando entre eles.

g) A base do Richa tem muitos candidatos para poucas vagas no campo majoritário, e muitos partidos com grandes ambições. Na proporcional, secretários e familiares do governador, afobados, erram muito e criam muitas fissuras na base. Esse grupo vai rachar, e por isso que precisamos manter conversas, que às vezes estranhas pra fora, mas são necessárias para se construir uma aliança para ganhar uma eleição

h) A renovação será pequena. Novos nomes vão substituir aqueles que se aposentam na Câmara Federal. Na Assembleia, novos nomes substituirão aqueles que serão candidatos a federal. Secretários de estado e ex-prefeitos de grandes cidades, ocuparão esses espaços. Talvez um ou outro perca eleição, mas acho que a renovação, com nomes novos, será quase zero.

l) Gleisi vai ser candidata a federal e tira uma das vagas do PT ou faz três, poucas mudanças…


(*) João Arruda foi candidato pela primeira vez em 2010, foi eleito deputado federal pelo PMDB com 126.092 votos.

No primeiro mandato, João Arruda foi indicado pela liderança do PMDB e eleito presidente das comissões especiais criadas para estudar os projetos que deram origem a Lei Anticorrupção e o Marco Civil da Internet.

Foi reeleito deputado federal em 2014 com 176.370 votos.  Foi relator da proposta que elevou  o teto do regime tributário especial Supersimples, aprovada em plenário por 417 votos a 2. A mudança beneficia as micro e pequenas empresas, principais geradoras de empregos em 2015.É, também, o relator da Saúde, e autor do projeto conhecido como Lei Maria da Penha virtual, em defesa das mulheres vítimas do chamado “pornô de vingança”.

Comentários

  • penitenciário | 29 jan 2018

    Esse piá ja foi bom enquanto escutava o tio Roberto, agora virou capacho do temer e vai ter que gastar muita grana do sogro, para se eleger !

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