Cícero Cattani
22 mar 2019

MP acusa Ricardo Barros de interferir em licitação

Por RPC Maringá

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) em Maringá, no norte do Paraná, ingressou com uma ação por improbidade administrativa contra o deputado federal Ricardo Barros (Progressista), e contra o ex-secretário de saneamento do município, Leopoldo Fiéviski.

A ação foi proposta no fim de semana, quase oito anos depois do início das investigações sobre a suposta interferência de Barros em uma licitação de R$ 7,5 milhões para a contratação de uma agência de publicidade pela prefeitura.

Em uma ligação interceptada pelos promotores, em outubro de 2011, Barros, segundo o MP-PR, pede para que Leopoldo interfira no resultado da licitação.

Ricardo Barros: É.. bom, sobre a licitação da publicidade.
Ricardo Barros: Você viu que tem duas empresas só, né?
Ricardo Barros: Tá, então primeiro fica a minha preocupação, né. Que os caras não podem ter montado um negócio desses, né. Que era para ser filha única só, concorrente único. Então, inicialmente, o requisito não cumpre isso. Então, eu não gosto de coisa de amador, sabe Léo. De qualquer forma, você, por favor, vê se faz um entendimento aí.

O promotor Pedro Ivo Andrade, responsável pelo caso, explicou que propôs essa ação somente agora porque a promotoria estava com outros inquéritos civis que apuraram gastos que a prefeitura teve com a publicidade entre 2005 e 2011. Conforme o MP-PR, os inquéritos tinham relação com esse processo.

“Na época, pelas próprias reportagens veiculadas, o deputado, em uma entrevista coletiva, disse que o motivo da intervenção dele na licitação da publicidade era porque os gastos com publicidade pela prefeitura interessavam para o processo eleitoral. Por isso, o MP-PR entendeu que isso configurou improbidade administrativa, na medida que há violação dos princípios que regem a atividade da administração pública”, explicou.

Procurado, o deputado Ricardo Barros disse que “lamenta que o Ministério Público não tenha a coragem de arquivar denúncias sem fundamento. Em oito anos não foi encontrada uma só prova de materialidade dos fatos e não há um real sequer de prejuízo ao erário”, disse.

Ainda de acordo com o deputado, “ é uma lástima que o Ministério Público reaja assim às críticas que ele faz aos seus privilégios como representante do povo”.

Ricardo Barros disse que provará mais uma vez sua honestidade, e que processará o promotor por abuso de autoridade.

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