Cícero Cattani
03 out 2018

MP aciona Richa, Traiano e Rossoni. Trio parada dura da corrupção do Paraná

Primeiro foi o deputado Ademar Traianom  agora foi a vez do MP denunciar o deputado federal Valdir Rossoni pelo crime de improbidade administrativa  e com ele, o indefectível Beto Richa.  Esta ação vem na continuidade de outras sete apresentadas em agosto de 2017 e que diziam respeito tão somente às irregularidades na medição de obras de construção de escolas pela construtora Valor e que resultaram em prejuízo direto recalculado agora para mais de R$ 27 milhões aos cofres públicos.

A nova ação, que começou a tramitar nesta segunda-feira (1.º) na 5.ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, diz respeito aos aditivos contratuais assinados pelo ex-governador Beto Richa, com envolvimento dos deputados Valdir Rossoni e Plauto Miró.

A ação do MP acusa o ex-governador de fazer alterações no sistema de controle e fiscalização de obras, transferindo competências que antes eram da secretaria de Obras para a secretaria da Educação e diretamente para o órgão executor dos convênios de construção – a Superintendência de Desenvolvimento da Educação (Sude), sob a diretoria de Maurício Fanini. “Essa alteração de competências materiais da administração pública não foi fortuita, pelo contrário, tratou-se de providência articulada pelo então governador, o requerido CARLOS ALBERTO RICHA”, diz a petição inicial do Ministério Público.

Ademar Traiano

“O Ministério Público do Paraná (MP-PR) instaurou dois inquéritos criminais para apurar as eventuais participações do presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano (PSDB), nos desvios apurados pela Operação Quadro Negro. Os processos têm como base a colaboração premiada de Eduardo Lopes de Souza, dono da Construtora Valor e principal delator do esquema que, segundo as investigações, desviou mais de R$ 20 milhões de obras em escolas estaduais.

Os inquéritos criminais foram instaurados em maio pelo procurador-geral de Justiça, Ivonei Sfoggia – a quem cabe abrir investigação contra autoridades estaduais com prerrogativa de foro -, após o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) ter autorizado a apuração contra os deputados. Questionado pela Gazeta do Povo, o MP-PR confirmou oficialmente a abertura dos processos, mas acrescentou que não pode fornecer detalhes sobre o andamento das investigações porque os trabalhos transcorrem sob segredo de Justiça.

Em sua delação – homologada no ano passado – Lopes de Souza havia mencionado que Traiano teria sido beneficiado pelo esquema, ao receber propina proveniente de dinheiro desviado de obras das escolas. O deputado nega. Segundo o empresário, os repasses de recursos à campanha de Traiano, em 2014, teriam sido definidos em reunião realizada na casa do então governador Beto Richa (PSDB).

O dono da Valor afirmou ter se comprometido a dar R$ 100 mil ao deputado e disse que fez a entrega pessoalmente a Traiano, no gabinete da liderança do governo na Assembleia. Ao perceber que havia mais dinheiro na mala, o parlamentar teria dito: “Não pode me dar mais?”. O delator, no entanto, teria explicado que o restante dos recursos já estava “comprometidos” com o pagamento a outros deputados.

Lopes de Souza relatou ainda outros três pagamentos de R$ 100 mil a Traiano – feitos em dezembro de 2014 e em fevereiro e abril de 2015. Em uma das ocasiões, o empresário disse ter entregado a propina na casa de Traiano e que colocou o dinheiro em uma caixa com garrafas de vinho, para evitar suspeitas. Conforme a Gazeta do Povo mostrou, no fim de julho, Lopes de Souza voltou a ser ouvido pelo MP-PR, para detalhar a eventual participação do presidente da Assembleia nos crimes investigados.”

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