Cícero Cattani
24 ago 2017

Mister Green, “O Grego”

Por Ruth Bolognese

– Pelas escassas informações que o cercam, a mania de repetir a mesma marca, “Green”, nas empresas que cria e pelas facilidades que vem obtendo em seus negócios na base da proximidade com o governo, já podemos dizer que, sim, temos o nosso Eike Batista. Guardadas as devidas proporções, trata-se do incorporador Jorge Theodócio Atherino.

Filho do ex-reitor da Universidade Federal do Paraná Theodócio Atherino, o “Jorginho”, como é conhecido na intimidade familiar, viveu a juventude dourada entre Curitiba e Florianópolis, onde a irmã Chica Atherino teve, desde sempre, uma das mais deslumbrantes casas da Lagoa da Conceição. É um pouco mais velho do que o amigo Beto Richa, e sempre conviveu muito próximo ao poder no Paraná. Os ex-governadores João Elísio Ferraz de Campos e Mário Pereira também estão no seu rol de amigos. Mário Pereira, por exemplo, teve como chefe do cerimonial do Palácio Iguaçu Chica Atherino.

O nome de Jorge Atherino foi citado numa das delações da Odebrecht, junto com o de Beto Richa, nas doações de campanha. Bem, nesse caso, ele, Beto e a torcida do Flamengo. Mas o que marcou a presença do incorporador no governo Beto Richa foi o inquérito aberto em Paranaguá para investigar tráfico de influência e vantagens no Eixo Modal. Ali, Jorginho passou a ser “O Grego”, dono da Green Logística, que obteve licença ambiental do Instituto Ambiental do Paraná para desmatar área próxima à Serra do Mar, protegida por lei federal.

O Grego comprou essa área para estacionamento de caminhões e de containeres apenas um mês antes de o governador Beto Richa assinar um decreto criando o Eixo Modal de Paranaguá. Tudo começou quando se descobriu que a Área de Mata Atlântica foi devastada para permitir a instalação da empresa. Nas investigações que se sucederam, descobriu-se suposto tráfico de influência: Atherino teria usado o nome do governador para apressar o processo de licenciamento.

A partir daí, os Ministérios Públicos Estadual e Federal constataram o fato de que uma empresa, a BFMAR, era uma das sócias do grupo Green Logística. A BFMAR tem as iniciais de Fernanda, Marcelo, André e Rodrigo e tudo indica, conforme conclui o MP que, pelas leis da probabilidade, o “B” só pode ser de Beto.

E agora, surge o Grego como grande incorporador da Região Metropolitana de Curitiba, numa área cortada por uma estrada que o governador Beto Richa mandou asfaltar, instalar benfeitorias, calçadas, ciclovias, etc. etc.

Na verdade, Jorge Atherino entra para a galeria dos parentes muito, muito distantes e amigos do governador Beto Richa, como Luiz Abi e o co-piloto Marcio Albuquerque Lima.

O governador Beto Richa nega qualquer ato de favorecimento ao amigo e diz que todas as notícias que correm sobre ligações empresariais dele com sua família não passam de “ilações insanas”.

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