Cícero Cattani
25 set 2018

Ministério Público denuncia Beto e mais 12; Fernanda e contador ficam de fora


Irmão do político tucano também está na lista dos denunciados nesta terça-feira por suspeita de fraude no programa Patrulha do Campo, do governo estadual 


Por Catarina Scortecci, Euclides Lucas Garcia e Giulia Fontes, Gazeta do Povo –  

O Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR) denunciou 13 pessoas na tarde desta terça-feira (25), na esteira da Operação Rádio Patrulha, deflagrada no último dia 11 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Entre os denunciados, está o ex-governador do Paraná e candidato ao Senado Beto Richa (PSDB). Veja aqui o que dizem as defesas dos envolvidos.

O irmão do tucano, Pepe Richa, ex-secretário de Infraestrutura e Logística, também está entre os denunciados, assim como Luiz Abi Antoun, primo de Beto Richa e pivô da Operação Publicano. Outro denunciado é Aldair Wanderlei Petry, o Neco, ex-diretor-geral da pasta comandada por Pepe Richa.

Entre os crimes apontados pelo MP estão corrupção passiva, corrupção ativa e fraude a licitação. A denúncia foi oferecida à 13 ª Vara Criminal de Curitiba, da Justiça Estadual, e pode ser acolhida ou rejeitada. Se acolhida, os denunciados se tornam em réus, e passam a responder a uma ação penal.

Patrulha do Campo

O foco da denúncia envolve direcionamento da licitação feita no âmbito do programa Patrulha do Campo, e também desvio de dinheiro, a partir dos contratos firmados com as empresas Cotrans Locação de Veículos Ltda, Ouro Verde Transporte e Locação S.A., e Terra Brasil Terraplanagem Ltda-ME.

“O total dos pagamentos efetuados pelo Estado do Paraná às empresas foi de R$ 101.905.930,58. Considerando a porcentagem prometida de propina – 8% sobre o bruto -, o valor global das vantagens indevidas recebidas pelos agentes públicos denunciados foi da ordem de R$ 8.152.474,44”, destaca o MP.

O Patrulha do Campo foi lançado em 2011 pelo governo do Paraná, no primeiro ano do primeiro mandato de Beto Richa. O programa consistia basicamente no aluguel de maquinário de empresas, por parte do governo do Paraná, para melhorias em estradas rurais.

Ainda investigados

Já a ex-secretária de Desenvolvimento Social Fernanda Richa, esposa de Beto Richa e também investigada, acabou não sendo denunciada nesta peça. Nem o contador Dirceu Pupo, responsável pela administração de empresas da família Richa. Tanto Fernanda Richa quanto Dirceu Pupo foram presos temporariamente no âmbito da Operação Rádio Patrulha – e acabaram liberados por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O MP explica, contudo, que a investigação ligada à Operação Rádio Patrulha ainda não foi totalmente concluída e novas denúncias podem ser protocoladas. Em entrevista concedida à imprensa nesta terça-feira (25), o coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batisti, explicou que Fernanda Richa e Dirceu Pupo ainda são investigados.

Batisti antecipou que o Gaeco agora vai se aprofundar em torno de crimes como lavagem de dinheiro, obstrução de Justiça, eventuais falsidades documentais e organização criminosa.

O empresário Tony Garcia, que firmou um acordo de colaboração premiada, também não foi denunciado. Também não há na relação de nomes nenhum representante da empresa Cotrans. Osni Pacheco, que teria participado da fraude, morreu no final de 2015.

No rol de denunciados, ainda estão os ex-secretários da gestão Richa (PSDB) Deonilson Roldo (Comunicação Social), Ezequias Moreira Rodrigues (Cerimonial e Relações Exteriores), Edson Casagrande (Assuntos Estratégicos), além dos empresários Celso Frare (Ouro Verde) e Joel Malucelli (J. Malucelli).

Quatro nomes ligados a Edson Casagrande também foram denunciados: os irmãos Túlio Bandeira e André Bandeira; e os irmãos Emerson Savanhago e Robison Savanhago. Os quatro teriam ajudado Casagrande a participar da licitação do programa Patrulha do Campo, através da empresa Terra Brasil. O advogado Túlio Bandeira já foi candidato ao governo do Paraná e é ex-chefe de gabinete do deputado estadual Ademar Traiano (PSDB).

(Foto Gazeta do Povo)

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