Cícero Cattani
27 abr 2017

Maracutaia em licitações envolve dez empreiteiras

A farta publicidade do governo Beto Richa em torno do “maior” programa rodoviário da história do Paraná (500 quilômetros de vias duplicadas e 11 mil quilômetros de estradas recuperadas), com investimento da ordem R$ 2,3 bilhões, ainda não passa de promessa. E já está sob suspeita de direcionamento para empresas ligadas a conhecidos políticos. Dez empreiteiras fazem parte do cartel.

Segundo a Gazeta, a proposta do governo Beto Richa (PSDB) de fazer ainda em abril uma série de licitações para recapear as rodovias estaduais esbarrou em um impasse no processo de escolha das empreiteiras que fariam as obras. Atendendo à reclamação de uma das empresas interessadas, o Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR) suspendeu as licitações de dois lotes – de rodovias nas regiões de Ponta Grossa (Campos Gerais) e Cascavel (Oeste). Como os editais de todas as obras que seriam licitadas têm a mesma exigência questionada pela empresa, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) decidiu interromper temporariamente todos os processos, que deveriam ser realizados na segunda (24) e na terça-feira (25).

Antes da decisão do TCE, o ex-deputado Tony Garcia denunciava no Face que havia alertado Beto Richa, – “Um ex-amigo que se desviou das virtudes ensinadas pelo pai, o ex-governador José Richa”  – que estava em curso  licitações dirigidas a grupos de amigos dele: Trama-se dentro de órgãos do governo do Paraná aberturas de licitações dirigidas no intuito de auferirem vantagens indevidas visando as eleições de 2018.

  • – Estive ao lado dele (Beto Richa) desde o início de sua vida pública, foi uma das pessoas mais sensatas que conheci, hoje, porém, vejo-o perdido em um mar de lama e afastado dos bons princípios herdado de seus ótimos pais. Alerto-o, como sempre fiz, de maracutaias engendradas no palácio que um dia seu pai ocupou com dignidade e honestidade, faço-o na intenção de afastá-lo de mal feitos que, com a autoridade que detém, pode e deve extirpá-los.

Para minha enorme surpresa, nada faz, segue em frente, desdenha da opinião pública, e não consegue enxergar que a Lava Jato mudou o comportamento dos brasileiros, hoje, todos muito atentos à movimentos inescrupulosos”. 

Não é de hoje. Tony Garcia revelou que “em 2014 alertei Beto Richa que havia maracutaia na montagem da PPP da rodovia 323 capitaneada pela Odebrecht, não ouviu, foi em frente, deu no que deu, entrou para a LISTA DE JANOT”.

E que, “mais uma vez se trama dentro do palácio maracutaias em órgãos públicos na intenção de criarem dificuldades para venderem facilidades à fornecedores do estado. Modus operandi idêntico aos praticados na receita estadual revelados na operação Publicano”.

Pelo que o blog apurou, as empresas  beneficiadas seriam as mesmas quem venceram licitações em 2012:  Compasa, Triunfo, Dalba Engenharia, Via Vêneto, Exato, Tucuman, Gaizer & Moreira, Samp Engenharia, César Fernandes Engenharia e 3W Engenharia.

As primeiras licitações para 36 lotes seriam feitas ao longo de  abril, totalizando R$ 750 milhões  ainda em 2017. Segundo ainda reportagem da Gazeta, com dinheiro em caixa – em função do aumento na arrecadação de impostos e da venda de ações excedentes da Sanepar e futuramente da Copel –, a administração estadual decidiu priorizar a recuperação das estradas estaduais.

Contudo, a empresa Pavimentações e Terraplenagens Schmitt , de Guarapuava, contestou a exigência de certidão, atestado ou declaração do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) comprovando a capacidade técnico-operacional das interessadas. A alegação é de que a entidade de classe só emite esse tipo de documento para profissionais – e não para empresas. Os conselheiros do TC concordaram com o argumento, determinando a interrupção dos processos licitatórios nos lotes de Ponta Grossa e Cascavel.

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