Cícero Cattani
11 set 2018

Lista de quem foi preso nas operações que envolvem Richa

Por Giulia Fontes, com a colaboração de Eriksson Denk, Gazeta do Povo – 

A prisão do ex-governador Beto Richa (PSDB), sua esposa, Fernanda Richa, e figuras próximas ao tucano, além de buscas e apreensões, são fruto de duas operações distintas. Ambas foram deflagradas nesta terça-feira (11) em Curitiba, mas uma é estadual e a outra federal, ligada à Lava Jato. Segundo as autoridades, o fato de elas terem ocorrido no mesmo dia foi “coincidência”.

A ação que culminou na prisão de Richa foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público do Paraná (MPPR), e apura o programa Patrulha do Campo, de quando o tucano era governador. A segunda ação é uma nova fase da Lava Jato, que fez buscas no apartamento de Richa.

Entenda do que tratam as operações e veja quem foi preso:

Operação Rádio Patrulha

O ex-governador Beto Richa (PSDB) e pessoas próximas a ele foram presas temporariamente pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público do Paraná (MPPR), no âmbito da Operação Rádio Patrulha. Está no escopo da operação a investigação de lavagem de dinheiro no programa Patrulha do Campo, do governo estadual, entre 2012 e 2014. Fraudes na execução do programa, destinado à conservação de estradas rurais no estado, foram apontadas por Nelson Leal Junior, ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), em delação premiada.

A investigação é de junho deste ano e o pedido de prisão foi feito há mais de duas semanas.

Ao todo, foram emitidos 15 mandados de prisão (dos quais 12 foram cumpridos) e 26 de busca e apreensão em Curitiba, Londrina, Santo Antônio do Sudoeste e Nova Prata do Iguaçu.

Quem são as pessoas que tiveram mandados de prisão expedidos na Operação Rádio Patrulha:

1. Beto Richa (PSDB) – ex-governador;

2. Fernanda Richa (PSDB) – esposa de Beto Richa e ex-secretária da Família e Desenvolvimento Social;

3. Deonilson Roldo – ex-chefe de gabinete do ex-governador;

4. Pepe Richa – irmão de Beto Richa e ex-secretário de Infraestrutura;

5. Ezequias Moreira – ex-secretário de cerimonial de Beto Richa;

6. Luiz Abib Antoun – primo do ex-governador;

7. Edson Casagrande – ex-secretário de Assuntos Estratégicos do Paraná e empresário da Terra Brasil. Não teve o mandado cumprido;

8. Celso Frare – empresário da Ouro Verde;

9. Aldair W. Petry;

10. Dirceu Pupo – contador;

11. Joel Malucelli – empresário da J. Malucelli e proprietário do grupo Band, da BandNews, da CBN e do Metro Jornal, em Curitiba. Não teve o mandado cumprido porque, segundo amigos, está em viagem na Itália;

12. Emerson Cavanhago – laranja de Edson Casagrande;

13. Robinson Cavanhago – laranja de Edson Casagrande;

14. Túlio Bandeira – procurador de Edson Casagrande;

15. André Felipe Bandeira – procurador de Edson Casagrande. Não teve o mandado cumprido.

As buscas foram dirigidas a 16 residências, quatro escritórios, um escritório político, quatro empresas em Curitiba e à sede do DER-PR. Um mandado foi cumprido no Palácio Iguaçu, visando o acesso a agendas de 2014.

De acordo com Leonir Batisti, coordenador do Gaeco, as investigações estão em sigilo e, por isso, não é possível saber mais detalhes sobre os motivos que levaram às prisões. Ele disse, apenas, que os mandados tinham como fim preservar “os interesses da investigação”. Os crimes envolvidos são fraude a licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução à Justiça.

Batisti frisou, ainda, que as prisões não são condicionadas pelo período eleitoral. “O MPPR se pauta de acordo com as suas próprias condições. Não podemos parar nossos trabalhos por motivos dessa natureza”, afirmou.

Operação Lava Jato

Outras duas pessoas também foram presas nesta terça-feira (11), mas por conta de uma investigação que se desenrola no âmbito da Operação Lava Jato.

A operação, fruto das investigações do MPF, também cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do ex-governador. A apuração diz respeito ao possível favorecimento da Odebrecht na licitação para as obras na PR-323. De acordo com as investigações, o acerto para que a concorrência fosse limitada em favor da empresa teria sido feito com o próprio Deonilson Roldo, em troca do pagamento de R$ 4 milhões para o grupo do ex-chefe de gabinete.

Veja a lista completa dos mandados de prisão expedidos pela Lava Jato, batizada de “Piloto”:

1. Deonilson Roldo – ex-chefe de gabinete de Richa;

2. Jorge Atherino, apontado como operador financeiro do ex-governador;

3. Tiago Correia Adriano Rocha, braço-direito de Atherino.

Três dos presos pelo Gaeco também foram alvos de pedido de prisão na Lava Jato: José Richa Filho (pela Polícia Fedeal), Ezequias Moreira e Luiz Abi Antoun (os dois últimos alvos do MPF). O juiz Sérgio Moro negou os pedidos.

Segundo as investigações do MPF, o acerto para o favorecimento foi realizado em reuniões entre Deonilson e os executivos da Odebrecht. Em uma outra reunião, Deonilson teria conversado com o executivo Pedro Rache – de uma das empresas interessadas na obra, a Contern – para informá-lo de que a obra já estava “comprometida” com a Odebrecht. O encontro foi gravado pelo empresário e o áudio veio a público em maio.

Na semana passada, o juiz Sérgio Moro aceitou denúncia do MPF contra onze pessoas investigadas pelo favorecimento da Odebrecht na licitação da PR-323. Entre elas, estão Deonilson Roldo e Jorge Atherino, alvos dos mandados de prisão desta terça-feira (11).

Outro lado
A defesa do ex-governador Beto Richa informa que não há razão para o procedimento desta terça (11), especialmente em período eleitoral, segundo a advogada Antônia Lélia Neves Sanches. Ela completa que Richa está sereno e sempre esteve à disposição para esclarecimentos. De acordo com a advogada, não há vedação de prisão por conta do período eleitoral, “mas há oportunismo”. A defesa diz que irá ingressar com habeas corpus ainda nesta terça (11).

O DER, responsável pelas obras do Patrulha do Campo, comunicou que o programa foi criado em março de 2013 e encerrado em julho de 2015. A nota trouxe ainda que, “por determinação da governadora Cida Borghetti (PP)”, o DER está colaborando com as operações do Gaeco e Lava Jato.

Vice-governadora na última gestão de Richa, Cida Borghetti se defendeu. Também por meio de nota, disse que “não participou de qualquer dos fatos que estão sendo alvos de operação policial nesta terça-feira”. No texto, ressaltou ainda a demissão de Deonilson Roldo logo após um áudio revelar a ligação dele com um esquema de fraude na licitação da PR-323 que beneficiou a Odebrecht, bem como a extinção da secretaria especial que era ocupada por Ezequeias Moreira. E termina: “Confio que a Justiça será feita”, afirma.

A defesa de Deonilson Roldo disse que ainda não teve acesso aos detalhes da investigação encabeçada pelo Gaeco no âmbito da Paraná Patrulha do Campo, mas que sabe que o segundo mandado – da Lava Jato, sobre as irregularidades da licitação para a PR-323 – pediu prisão preventiva do ex-secretário de Richa.

O advogado Roberto Brzezinski Neto falou que Roldo “está abalado” e que a prisão foi desnecessária, uma vez que Roldo já tinha se colocado à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. “O que me chama a atenção é que logo depois que a imprensa divulgou um pretenso áudio entre ele e um empresário, nós fizemos uma petição ao juíz nos colocando a disposição para prestar esclarecimentos. Ele jamais foi intimado para qualquer manifestação. Me parece que a prisão dele, nesse momento, não se fazia necessária”, disse.

(Foto: Henry Milleo/Gazeta)

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