Cícero Cattani
26 set 2018

Lava Jato mira o pedágio no Paraná e manda prender irmão e primo de Beto Richa

Por Eriksson Denk, especial para a Gazeta do Povo – 

“A força-tarefa da Lava Jato cumpre nesta quarta-feira (26) mandados de prisão temporária, por cinco dias, contra Pepe Richa (PSDB), irmão do ex-governador Beto Richa (PSDB) e ex-secretário de Infraestrutura e Logística, contra Luiz Abi Antoun, primo do ex-governador, e outras 14 pessoas, incluindo diretores de empresas de pedágio. Também foram expedidos três mandados de prisão preventiva (sem prazo).

As detenções foram decretadas pelo juiz Paulo Sérgio Ribeiro, da 23ª Vara Federal Criminal de Curitiba, responsável pelos processos da Operação Integração, que investiga o pedágio no Paraná. As prisões fazem parte da 55ª fase da Lava Jato.

A investigação policial tem como foco casos de corrupção ligados aos procedimentos de concessão de rodovias federais no Paraná que fazem parte do Anel de Integração. Os alvos das medidas são as concessionárias Econorte, Ecovia, Ecocataratas, Rodonorte, Viapar e Caminhos do Paraná, além de intermediadores e agentes públicos corrompidos beneficiários de propina, segundo a investigação.

Os investigadores encontraram “movimentações imobiliárias suspeitas” envolvendo o nome de Pepe Richa e citam que Abi “centralizava” as arrecadações de propina do grupo político do esquema.

Cerca de 400 policiais federais, auditores da Receita Federal e membros do Ministério Público Federal (MPF) cumpriram ainda 73 mandados de busca e apreensão em quatro estados: Santa Catarina (Joinville e Palhoça), São Paulo (São Bernardo do Campo, São José dos Campos, São Paulo e Jundiaí), Rio e Janeiro (Niterói) e Paraná (Ponta Grossa, Irati, Londrina, Guaratuba, Morretes, Matinhos, Maringá, Cascavel, São José dos Pinhais, Pinhais, Balsa Nova, Araucária e Curitiba).

As apreensões de documentos ocorreram nas casas de todos os investigados, funcionários do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) e ainda nas casas de Deonilson Roldo (ex-chefe de gabinete de Beto Richa), Ezequias Moreira (ex-secretário de Cerimonial), Paulo Henrique Bley (tesoureiro da campanha de Richa em 2014) e Ricardo Rached (um dos principais assessores do ex-governador). Também foram alvos as sedes das concessionárias e da ABCR em São Paulo e no Paraná, a J. Malucelli Construtora e outras quatro empresas. A Lava Jato ainda buscou documentos em um endereço apontado pelo colaborador Nelson Leal Junior como “comitê ilícito da campanha de Beto Richa”.

A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), que representa as empresas do setor, informou que está contribuindo com as autoridades e fornecendo todas as informações necessárias.

Quem foi preso na operação?
O juiz decretou três prisões preventivas e 16 prisões temporárias. Foram alvos de prisão preventiva João Chiminazzo Neto, presidente da Associação Brasileira de Concessões Rodoviárias (ABCR); João Marafon Júnior, advogado e funcionário da Econorte; e Luiz Fernando Wolff de Carvalho, presidente do Conselho de Administração da Triunfo Participações e Investimentos.

Os mandados de prisão temporária foram expedidos contra:

Aldair Petry (Neco), que exerceu a função de diretor-geral da Secretaria de Infraestrutura e Logística;

Elias Abdo Filho, que estaria envolvido em suposto esquema de lavagem de dinheiro com Pepe Richa;

Ivano Abdo, intermediário de produção de dinheiro em espécie para as concessionárias;

Beatriz Luciana Assini, secretária de João Chiminazzo Neto na ABCR;

Evandro Couto Viana, diretor superintendente da Ecovia e Ecocataratas;

José Camilo Teixeira, diretor presidente da Viapar;

José Alberto Moraes Rego de Souza Moita, presidente da Rodonorte;

José Julião Terbai Junio, diretor presidente da Caminhos do Paraná;

Ruy Sergio Giublin, articulador e negociador de propinas pagas pela Caminhos do Paraná;

Antônio Carlos Cabral de Queiroz, funcionário do DER e Agepar;

Maurício Eduardo Sá de Ferrante, diretor jurídico da Agepar;

Luiz Claudio Luz, chefe de gabinete de Pepe Richa;

Cláudio José Machado Soares, diretor da Rodonorte;

Mario Cezar Xavier Silva, funcionário da Ecovia.

Os investigados responderão pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, fraude a licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa, dentre outros.

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