Cícero Cattani
31 ago 2017

Fraude dos ônibus. MP fecha cerco ao grupo Gulin

<<< Foto indiscreta: Rafael Greca  aumentou a tarifa de ônibus de R$ 3,70 para R$ 4,25. Três dias depois, o prefeito se reuniu com o empresário de ônibus Donato Gulin no Bar do Golf, do Graciosa Country Club

Muda só o cenário, os figurantes não são mais do Grupo Barata. O enredo é igual ao de  tantas outras fraudes no Rio e outras cidades brasileiras, só que  agora encenado pelo Grupo Gulin. A Operação Riquixá – que investiga uma organização criminosa que se especializou em fraudar licitações de ônibus em todo o país – chegou definitivamente a Curitiba. As informações são da Gazeta do Povo.

Segundo   o Ministério Público do Paraná (MP-PR) há suspeitas de que a licitação tenha sido direcionada na capital paranaense, nos mesmos moldes do esquema investigado. Além de ter sido mencionada em colaboração premiada, as empresas que venceram a concessão do sistema de transporte coletivo em Curitiba pertencem, de acordo com os promotores, ao mesmo “núcleo empresarial” já denunciado à Justiça em Guarapuava, na região central do estado, e em Paranaguá, no Litoral.

“A investigação alcança Curitiba. Podemos dizer que Curitiba entra no âmbito da Riquixá”, resumiu a promotora Leandra Flores, do Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público (Gepatria) de Guarapuava, cidade em que a operação começou.

Nesta semana, o ex-prefeito de Paranaguá José Baka Filho e outras dez pessoas foram denunciados à Justiça por crimes relacionados a fraudes na concessão do transporte daquela cidade. Entre os acusados, estão empresários que, segundo os promotores, são ligados ao grupo Gulin, que concentra o controle dos consórcios que operam em Curitiba. Em Guarapuava, foram denunciadas 26 pessoas, incluindo sócios ou administradores que também estão ligados ao “núcleo empresarial” que atua na capital paranaense.

A licitação dos ônibus em Curitiba já estava no alvo do MP-PR, mas a investigação teve que ser posta em suspenso. Em fevereiro deste ano, o advogado Sacha Reck firmou um termo de colaboração premiada, detalhando o esquema e apontando a suposta participação de empresários ligados aos consórcios que operam na capital. O delator teve participação decisiva na articulação do esquema e chegou a ser advogado do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Curitiba e Região (Setransp).

Em 2013, a CPI dos Transportes, conduzida pela Câmara de Curitiba, analisou os contratos sociais das empresas de ônibus que prestam o serviço em Curitiba e concluiu que 68,7% das ações das viações estão nas mãos da família Gulin. Conforme o MP-PR apontou na Riquixá – na denúncia oferecida em Guarapuava e na de Paranaguá –, o núcleo empresarial agia de modo a concentrar todo o sistema de transporte, nas cidades em que atuava. “A licitação dava plenos poderes aos grupos empresárias que já atuavam nas cidades. Era quase uma privatização”, definiu promotora Leandra Flores.

Na denúncia oferecida à Justiça em Paranaguá, os promotores do Gaeco e do Gepatria do MP-PR também abordam esse monopólio. “Isso ocorre porque todas as empresas do Grupo Gulin se originaram de uma mesma empresa, que passou a ser dividida paulatinamente há algumas décadas. No entanto, seus integrantes, que possuem todos um ascendente comum [José Gulin], têm agido como um grupo econômico único em várias oportunidades, formando uma organização criminosa, já que dissimulam fraudulentamente a participação concorrencial das empresas do grupo em licitações para a concessão do serviço público de transporte coletivo”, consta do documento.

Em fevereiro deste ano, os promotores cumpriram mandados de busca e apreensão em empresas de ônibus, todas ligadas ao grupo Gulin. Alguns empresários chegaram a ser conduzidos coercitivamente para prestar depoimento. Este material também deve subsidiar as investigações da Riquixá na capital.

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