Cícero Cattani
08 jun 2018

Fanini. De amigo íntimo de Richa a preso e “traidor”

Ex-diretor da Secretaria da Educação narra seus últimos dias à frente do cargo em sua proposta de delação premiada. Além de demitido, foi preso duas vezes na investigação da Quadro Negro


Por Euclides Lucas Garcia/Gazeta do Povo –

O começo do fim para Maurício Fanini se deu no fim de semana de 14 e 15 março de 2015. Em sua proposta de delação premiada, o ex-diretor de Engenharia da Secretaria de Educação (Seed) e réu na Operação Quadro Negro conta que esteve com o ex-governador Beto Richa (PSDB) na Granja do Canguiri, residência oficial do chefe do Executivo. Naquele sábado à noite, o tucano estava “apreensivo” e “muito inquieto”. O motivo: Luiz Abi, primo de Richa, seria preso na segunda-feira – como de fato foi, por fraudar uma licitação do estado.

Após a prisão, Fanini diz ter ido à casa do ex-governador, que relatou desespero do grupo político dele diante da possibilidade de mais prisões. E o destino de Abi seria o mesmo do então diretor da Seed em decorrência dos eventos iniciados a partir do dia seguinte, 17 de março. Na ocasião, outro diretor da pasta, Jayme Suniê, foi notificado pelo Ministério Público (MP) para prestar esclarecimentos sobre uma denúncia de que Fanini recebia dinheiro de empreiteiras.

De imediato, ele afirma que foi ao Palácio Iguaçu relatar o caso a Richa. No gabinete, o tucano estaria “desesperado apagando fotografias e mensagens do celular”. “Apague todas as nossas fotos e mensagens trocadas entre nós. Isso é muito importante, eu passei o final de semana apagando as fotos que tinha eu e o Luiz Abi e as em que você aparece”, teria sido o pedido do então governador. A partir de então, Fanini passou a ser “escanteado”.

Diante do início da investigação do MP, o engenheiro afirma ter tomado consciência do real atraso na reforma e construção de escolas estaduais – o esquema consistia em pagar à Valor Construtora pelo avanço de obras que estavam praticamente no chão. Ele garante que nunca visitou os canteiros e apenas fazia “vista grossa” sobre os procedimentos de fiscalização. “Consternado”, Fanini chamou para uma conversa Eduardo Lopes de Souza, dono da empreiteira, e ordenou: “Não sei o que você vai fazer, ponha gente trabalhando dia e noite lá, e dê um jeito nessas obras”. O empresário pediu 90 dias para colocar tudo dentro do cronograma.

Diante do problema que se desenhava, Deonilson Roldo, chefe de gabinete de Richa, disse a Fanini: “Resolva isso! Se isso virar um escândalo, vai ser uma flecha direto no coração do governador”. Diariamente a partir daí, ele passou a cobrar Lopes de Souza e ser cobrado por Suniê. Até o dia 3 de junho, quando ambos – Fanini e Suniê – foram exonerados do governo, porque “a situação perante a imprensa e a opinião pública estava insustentável”.

No relato de Fanini, a Sérgio Botto de Lacerda, procurador do Estado que comunicou a decisão, ele perguntou como iria se sustentar e afirmou que apenas cumpria ordens “com o consentimento do governador”. Ouviu que não deveria se preocupar, porque não era “cabeça” do esquema e, por atuar apenas na intermediação, “seria difícil sobrar” para ele. Também foi informado que Richa estava estudando uma colocação futura a ele na iniciativa privada.

Poucos dias depois da exoneração, Fanini foi à casa do governador, de quem ouviu que “as coisas estavam complicadas”. Respondeu que aguentaria, mas não poderia sobreviver sem uma colocação profissional. E foi orientado a procurar os empresários Beto Freire e Jorge Atherino, além de Botto de Lacerda. A promessa de Atherino foi de que Fanini teria um emprego com salário de R$ 12 mil.

Tudo continuava na base da promessa até 16 de julho de 2015, quando Botto de Lacerda pediu que Fanini fosse até o escritório dele, no bairro Batel, em Curitiba. “Sobrou para mim te falar, pensei antes de te ligar, mas f…. Acabei de sair do Palácio e o ‘filho da p…’ do Sciarra [chefe da Casa Civil] tinha colocado o diretor-geral da Polícia Civil na sala do governador e anunciou que a sua prisão havia sido solicitada”, foi o que disse a ele o procurador. Foi informado ainda que iria ocorrer uma operação, que seria preso temporariamente e que era importante que limpasse todas as provas que pudessem comprometer Richa.

Na mesma noite, Fanini foi até a casa do governador, que tentou aliviar a sensação de desespero dele e garantiu que a prisão seria de apenas dois dias “para dar uma satisfação à imprensa e à opinião pública”. Também disse que não haveria algemas nem aviso aos jornalistas e que tentaria reverter o iminente pedido de prisão.

No entanto, o amigo de Fanini desde 1983, da época em que cursaram juntos a faculdade de Engenharia, não cumpriu a promessa. Às 6 horas do dia 21 de julho de 2015, uma terça-feira, o ex-diretor da Seed foi preso pela Polícia Civil no âmbito da Operação Quadro Negro – sem algemas nem a presença da imprensa, conforme havia dito Richa. Além disso, o que seria uma prisão de dois dias foi prorrogada de cinco para dez dias.

Nesse período, a então primeira-dama do estado, Fernando Richa, trocou mensagens de WhatsApp com a esposa de Fanini, no que seria “uma forma de monitoramento para que não houvesse medidas precipitadas, como por exemplo uma eventual delação”.

Solto no dia 30 de julho, Fanini de fato começou a receber no mês seguinte a mesada de R$ 12 mil dos empresários indicados pelo tucano, para que “permanecesse em silêncio”. Em 2017, o pagamento caiu para R$ 8 mil, começou a atrasar e cessou de vez em agosto.

Um mês depois, Fanini foi novamente preso, após virar réu por lavagem de dinheiro. Desde o início deste ano, ele está detido em Brasília por motivos de segurança, na expectativa que a Justiça homologue a proposta de delação premiada.

Comentários

  • Mato | 08 jun 2018

    Então o Playboy vai ao programa seu Rola bosta e quando perguntado qual a diferença dele pro PT é que é que ele esta falando a verdade.
    Mas assim como o PT não só as delações mas os fatos apontam o esquema para seu cabeça e nos dois casos eles agem como deus desafiando os fatos dizendo que tudo é mentira.
    Desde que estourou as denuncias um fato esta ligando a outro
    Richa disse que não mal conhecia o fanini
    o Fanini diz que era super ligado ao ex gov.
    e em fato confirmado aparece uma conversa da primeira dama e a esposa do Fanini com uma intimidade absurda.
    mas o BR esta falando a verdade
    2 anos atrás apareceram fotos do que foi conhecido como viagem da vitória.
    hj o Fanini entrega que foi pago com propina mas as fotos da galera curtindo é antiga um fato ligando a outro
    mas o Playboy jura que é tudo mentira.
    ele esta falando a verdade.
    É impossível acreditar nele ele não deve ser eleito acorda povo paranaense pare de votar no playboy bontim. ele é corrupto não merece nosso voto

  • joao pedro | 09 jun 2018

    Família doleca…..

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