Cícero Cattani
06 set 2018

Richa recebia propina do pedágio, diz ex-diretor do DER


Engenheiro Nelson Leal Júnior, ex-diretor-geral do DER-PR,  diz que todas as seis concessionárias estavam envolvidas no esquema 


Por Catarina Scortecci e Euclides Lucas Garcia, Gazeta do Povo – 

Durante os anos que permaneceu à frente do governo do Paraná, Beto Richa (PSDB) recebeu propina de concessionárias de rodovias que atuam no estado, segundo o engenheiro civil Nelson Leal Júnior, que é ex-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Na esteira de sua prisão durante a Operação Integração, Nelson Leal Júnior passou a colaborar com os investigadores do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF).

Parte dos depoimentos de Nelson Leal Júnior foi anexada a uma denúncia oferecida nesta quarta-feira (5) pelo MPF e que trata especificamente do suposto crime de corrupção que teria sido praticado por agentes públicos e executivos da Odebrecht durante o processo de licitação da obra da PR-323, no ano de 2014. Mas, nos relatos, também constam outros detalhes sobre o que o ex-diretor-geral do DER classifica de “esquema sistêmico de arrecadação de propina” junto a empresas que mantinham contratos com o governo do Paraná. Os citados pelo engenheiro negam as acusações (saiba o que eles dizem).

De acordo com o delator, todas as seis concessionárias de pedágio que atuam em rodovias administradas pelo governo do Paraná pagaram propinas a agentes públicos: a ele próprio, e também a um grupo de pessoas da confiança de Beto Richa, como o irmão José Richa Filho, o Pepe Richa, então secretário de Infraestrutura e Logística, pasta que abriga o DER.

Nelson Leal Júnior inicia explicando aos investigadores que, logo quando assumiu o DER, em janeiro de 2013, comentou com Pepe Richa que considerava o salário “muito baixo”. Ao ouvir a insatisfação, Pepe Richa o orientou a procurar Aldair Petry, conhecido como Neco, e que seria o responsável por arrecadar propina junto a quatro concessionárias de pedágio – Rodonorte, Viapar, Ecovia e Ecocataratas. Ao entrar em contato com Neco, Nelson Leal Júnior teria passado a receber uma mesada de R$ 30 mil, para “complementar” o salário.

A

Já as outras duas concessionárias de pedágio, Econorte e Caminhos do Paraná, pagavam propina ao próprio governador do Paraná, de acordo com o delator. O pagamento seria feito através de interlocutores do Palácio Iguaçu. O ex-diretor-geral do DER cita nomes: na Econorte, Luiz Fernando Wolf de Carvalho entregava a propina para Ezequias Moreira, então secretário de Cerimonial e Relações Internacionais; na Caminhos do Paraná, Carlos Lobato entregaria a propina para Ricardo Rached, assessor direto de Beto Richa.

“Ezequias e Rached usavam o dinheiro para pagamento de despesas pessoais do governador, incluindo multa de campanha”, disse o ex-diretor-geral do DER. O que sobrava era repassado a Luiz Abi, primo de Beto Richa e responsável por uma espécie de caixa principal da arrecadação ilícita, segundo o delator.”

Comentários

  • Acertei? | 07 set 2018

    Luis Abi e Ezequias, verdadeiros pilantras, ladrões e mafiosos. O que dizer do segundo, que continuou praticando crimes de corrupção mesmo depois do escandalo da sogra. E pior, o que falar de Richa que vergonhosamente abrigou seu parça como chefe de cerimonial para ganhar imunidade. Você não presta Richa, deveria estar na cadeia como o sapo barbudo. Vamos torcer para que Moro acelere sua punição e retire mais um bandido de circulação. O Parana não merece tantos pilantras e ladrões do dinheiro público. NÃO ELEJAM esse larápio Senador do nosso estado.

  • SYLVIO SEBASTIANI | 10 set 2018

    Quando O Governador José Richa saiu do Governo, fui muitas vezes conversar com ele. Em certo dia ele me disse: Sylvio, sai do Governo e agora que estou ganhando dinheiro, estou cuidando dos negócios de um amigo em São Paulo, o Mansur. De fato: a firma era a Vigor, que em seguida a morte do Richa começou a funcionar. Quem pode falar mais que eu é o Olivir Gabardo, que ajudou junto comigo a colocar o Richa no MDB e assim ele continuou na política em 1966, deputado federal pelo MDB. Sylvio Sebastiani

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