Cícero Cattani
26 jul 2018

Vox dá vitória a Lula no primeiro turno. Mas ele vai estar lá?

Por Helena Chagas, Os Divergentes –

Acaba de sair a pesquisa CUT/Vox Populi que, como se comentava nas redes, sinaliza com uma vitória de Lula em primeiro turno caso ele seja candidato. Pelo levantamento, que tem margem de erro de 2,2 p.p., Lula teria hoje, no voto estimulado, 41% das intenções, contra 12% de Bolsonaro, 5% de Ciro Gomes, 4% de Marina, 4% de Geraldo Alckmin, 1% de Álvaro Dias e de Manuela D’Avila (cada um) e 2% dos outros somados. Matematicamente, o ex-presidente teria 12 p.p. a mais do que a soma dos adversários, o que teoricamente lhe permitiria vencer no primeiro turno.

O maior problema da pesquisa não é o fato de o establishment político e midiático descredenciar os levantamentos encomendados pela CUT, parceira militante do PT. A guerra entre partidos e institutos por eles contratados se repete a cada eleição. E o crescimento de 2 p.p. de Lula em relação ao levantamento de maio poderá ser confirmado pelos demais institutos, já que nesse período houve o prende-solta do ex-presidente, que o colocou em grande evidência. A pesquisa detectou ainda uma redução no número de indecisos e votos nulos, que estariam migrando para o petista

Os demais candidatos costumam reclamar das pesquisas encomendadas pela CUT/Vox por se sentirem desidratados no levantamento. Bolsonaro, por exemplo, varia de 17% em outros institutos para apenas 12% – mesmo índice da pesquisa anterior, enquanto Alckmin e Ciro sobem um ponto cada um e Marina cai dois. De modo geral, porém, estão estabilizados, para não dizer congelados.

Não há como qualquer instituto de pesquisa negar a espantosa resiliência do ex-presidente. O maior problema da pesquisa CUT/Vox é não trazer – ou não divulgar – nenhum cenário eleitoral sem o nome de Lula, seguindo a orientação da cúpula petista, que quer segurar até o limite o discurso da candidatura do ex-presidente.

É uma estratégia eleitoral inteligente, mas não combina com a credibilidade que toda pesquisa deve exibir. Afinal, o cenário sem Lula é, no mínimo, possível. Mais do que isso, pelo que se vê no cenário jurídico – ainda que se discorde dele – é provável.

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