Cícero Cattani
26 set 2018

CPI do Pedágio. Traiano, Rossoni e Plauto entram na mira da Lava Jato

Segundo Ministério Público Federal no Paraná, um delator da Operação Integração II, fase 55 da Lava Jato, revelou detalhes de um encontro em São Paulo de acionistas das concessionárias de rodovias, quando  ficou deliberado propinas para a CPI do Pedágio. Segundo o procurador da República Diogo Castor de Mattos, que integra a força-tarefa da Lava Jato, o colaborador também mencionou o pagamento de vantagens indevidas  ao Tribunal de Contas do Estado.

O procurador da República Diogo Castor de Mattos não revelou nomes de beneficiados, porém, ao tempo da  CPI do Pedágio, em 2012, o  então deputado e relator  da CPI Cleiton Kielse  apontou os envolvidos com as concessionárias de pedágio:

1. Valdir Rossoni, presidente da casa, que é sócio da construtora Deck, que por sua vez participa das obras das concessionárias;

2. Plauto Miró Guimarães, 1° secretário da casa e ex-genro do diretor da concessionária Ecovia;

3. Ademar Traiano, líder do governo que em 2003 foi relator da CPI do pedágio, mas não apresentou o relatório que simplesmente desapareceu.

Em matéria assinada por Julia Affonso e Ricardo Brandt, no jornal O Estado de S. Paulo, a Operação Integração II, fase 55 da Lava Jato, vai além do suposto esquema de propinas para um grupo ligado ao ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), candidato ao Senado. A investigação aponta para um possível repasse de valores ilícitos no Tribunal de Contas do Estado e também para deputados que integraram a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Pedágios, na Assembleia Legislativa.

As suspeitas surgiram a partir do relato de um delator. Ele narrou aos investigadores detalhes de um encontro que teria sido realizado em São Paulo entre acionistas das concessionárias de rodoviais no qual discutiu-se a ‘necessidade’ de pagamentos de propinas para conter um eventual avanço da CPI. Outro motivo de preocupação do setor era uma auditoria técnica ‘incisiva’ que estaria em curso no Tribunal de Contas.

Nesta quarta, 26, a Polícia Federal e a Procuradoria da República deflagraram a Lava Jato 55 e saíram às ruas à procura de 19 investigados, entre eles o ex-secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná José Carlos Richa, o Pepe Richa, irmão do ex-governador Beto Richa. Por ordem judicial, Pepe foi preso sob suspeita de montar um comitê clandestino de campanha do tucano no bairro Água Verde, em Curitiba, em 2014.

Segundo o procurador da República Diogo Castor de Mattos, que integra a força-tarefa da Lava Jato, o colaborador também mencionou o pagamento de vantagens indevidas, segundo ele tomou conhecimento, à CPI do Pedágio e ao Tribunal de Contas do Estado’.

O delator não indicou nomes, segundo o procurador. Mas fez menção a João Chiminazzo Neto, diretor-regional da Associação Brasileira de Concessões Rodoviárias (ABCR) desde 2000 e atual membro da Diretoria-Executiva na condição de diretor regional Paraná.

Em 28 de novembro de 2016, Chiminazzo foi nomeado pelo então governador Beto Richa membro do Conselho Consultivo da Agência Reguladora do Paraná (Agepar) para mandato de cinco anos.

“Quem seriam essas pessoas? Ele (delator) não sabe, ele fala que o operador do esquema via ABCR, sr. (João) Chiminazzo (Neto) chegou um determinado dia e falou: ‘Olha, teve uma reunião em São Paulo de acionistas das concessionárias e considerando o andamento da CPI do Pedágio ficou deliberado que haverá necessidade de fazer pagamentos de propinas para a CPI do Pedágio’.”

“Não declinando nomes e considerando também o andamento de auditoria do Tribunal de Contas do estado, o colaborador também mencionou pagamentos em favor do Tribunal de Contas do Estado entre 2013 e 2014”, afirma o procurador da Lava Jato.

Para esses pagamentos específicos, ainda segundo o relato do delator, teria sido instalada uma sala específica de ‘recebimento de propina’ localizada na Rua Tibagi, no centro de Curitiba, no Edifício Curitiba Business Center.

“Enquanto a propina ordinária era arrecadada na própria ABCR, segundo esses relatos, entregue em espécie todos os meses na sede da ABCR, para esses valores específicos foi cedida uma sala no centro de Curitiba que pertencia a um dos diretores de uma das concessionárias e foi feita a arrecadação desses valores entre os anos de 2013 e 2014. Não se sabem quem são os beneficiários finais desses valores, sabe-se da arrecadação desses valores até o operador financeiro”, narra Castor de Mattos.

“A questão do Tribunal de Contas, o colaborador até fala que houve uma reclamação sobre esses pagamentos, porque algumas empresas estavam sendo auditadas pela área técnica até de forma bem incisiva, de forma bem técnica, digamos assim, e estava gerando alguma reclamação no sentido de que os pagamentos não estavam surtindo efeito”, segue o procurador.

Castor de Mattos ressalta que sobre a CPI, o relatório de 2013 ‘não indiciou nenhuma pessoa, apontou alguns problemas gerais’. Segundo ele, foi cogitada, na época, a quebra de sigilo fiscal e bancário das concessionárias, mas os parlamentares não aprovaram a medida. “Foi um relatório pouco efetivo, digamos assim.”

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