Cícero Cattani
11 ago 2018

Celular de delator prova encontros com Traiano e Plauto


 Laudo do fabricante americano em celular do delator da Operação Quadro Negro registra conversas do dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, com Ademar Traiano,  presidente da Assembleia Legislativa do Paraná e Plauto Miró,  1º secretário, envolvidos no saque de ao menos R$ 20 milhões da construção de escolas, junto com o ex-governador e agora candidato ao Senado Beto Richa


 

Por Diego Ribeiro e José Vianna, RPC Curitiba –

Um laudo feito em um telefone celular dono da Construtora Valor e principal delator da Operação Quadro Negro, Eduardo Lopes de Souza, mostra conversas com o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Ademar Traiano (PSDB), e com o 1º secretário Plauto Miró (DEM).

De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), o esquema investigado pela operação desviou mais de R$ 20 milhões da reforma e construção de escolas estaduais.

As conversas estavam em um dos celulares apreendidos com o dono da construtora quando ele foi preso, em julho de 2015, na primeira fase da Quadro Negro.

Conforme o laudo, Souza marcou encontros com Plauto dentro da Alep. Além disso, estão registradas várias ligações do celular do delator para o número do deputado também para o gabinete dele.

Os avisos das visitas, os horários e a chegada do empresário na Alep estão registrados nas conversas.

Desde que o celular foi apreendido, o Instituto de Criminalística do Paraná – responsável pela perícia nos telefones – não conseguiu acessar o aparelho. A Justiça determinou, em abril deste ano, que o aparalho fosse enviado à sede da fabricante, nos Estados Unidos, para um novo laudo.

O relatório americano que revelou conversas de Souza com autoridades tem 17 mil páginas e agora, três anos depois, passa a ser usado como prova no processo da Quadro Negro.

Conversas com Traiano
Além de Plauto, o empresário trocava mensagens com o deputado Ademar Traiano. Eles marcaram encontros até mesmo na casa do presidente da Alep. Em abril de 2015, Traiano convidou o delator para tomar um café no apartamento dele, em Curitiba.

Na sequência de mensagens, o deputado questiona qual obnra tem dinheiro do governo federal. Souza cita a obra na escola William Madi, em Cornélio Procópio, no norte do Paraná.

Essa é uma das sete escolas estaduais que deveriam ter sido construídas pela construtora, mas que mal saíram do chão.

A escola de Cornélio Procópio atenderia 1,2 mil alunos em 14 salas de aula. O governo estadual pagou quase R$ 4 milhões, além de um aditivo de R$ 974 mil, por poucas paredes levantadas e abandonadas.

Inquéritos
O MP-PR abriu dois inquéritos criminais para investigar o possível envolvimento de Traiano e Miró nos desvios de dinheiro da construção e reforma de escolas estaduais.

Em delação premiada, o dono da construtora disse que fez quatro entregas de R$ 100 mil ao presidente da Alep e dois repasses que somaram R$ 700 mil feitos ao 1º secretário. O dinheiro desviado das escolas teria sido entregue pessoalmente aos deputados.

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