Cícero Cattani
19 jul 2018

“Blocão” com Alckmin consolida PSDB com Cida


Confirmado o acerto dos partidos que compõem o chamado “blocão” (DEM, PP, PR, PRB e SD) com o PSDB de Geraldo Alckmnin, nada impede mais que os tucanos daqui se definam no apoio à Cida Borghetti. Dirigentes saíram do encontro afirmando que agora apenas levarão a posição às instâncias regionais dos partidos para resolverem eventuais divergências nos palanques.


 O Globo – Em encontro com o pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo, o blocão (DEM, PP, PR, PRB e SD) fechou um acordo para apoiar o tucano para a Presidência da República. Dirigentes saíram do encontro afirmando que aliança está consolidada. O anúncio formal será feito na próxima semana.

— Já está fechado — disse o presidente de um dos partidos.

Os partidos querem algumas garantias para anunciar o apoio ao tucano, que já é dado como certo entre alguns dirigentes das agremiações. Alguns parlamentares já foram até mesmo avisados de que chegou-se a um entendimento.

Apesar da proximidade de dois partidos do blocão — PP e Solidariedade — com a pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT), ambas as legendas já aceitam bandear-se para o lado de Alckmin. O movimento depende de uma velha moeda de troca da política real: a distribuição de cargos e verbas. O chamado “blocão” representa 164 deputados e 2 minutos e 35 segundos no tempo de rádio e TV durante a propaganda eleitoral.

Um dos itens apresentados na reunião foi uma condição de Paulinho da Força (SD-SP): o compromisso de um novo modelo de financiamento de sindicatos. Com o fim do imposto sindical, que obrigava os trabalhadores a contribuir com as associações, a fonte de dinheiro de seus colegas começou a secar. Paulinho, o principal dirigente da legenda, é oriundo da Força Sindical e defende o interesses dos grupos organizados. Segundo um dos participantes, Alckmin aceitou discutir o assunto.

O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), esteve com o presidente Michel Temer antes de embarcar para São Paulo, onde foi o representante do PP no encontro com o tucano. Ao arriscar-se neste fim de ano, o PP poderia abrir mão de um verdadeiro latifúndio: ministérios da Agricultura, Cidades e Saúde, além da presidência da Caixa Econômica, já que o Planalto pressionou publicamente a legenda a não apoiar Ciro Gomes, candidato que trata o presidente como “bandido”.

O jantar de quarta-feira e o café desta quinta-feira serviram para que os cinco partidos do “blocão” fechassem a pauta. Neste contexto, o pragmatismo do ex-deputado Valdemar Costa Neto, que controla o PR, foi fundamental. Ele explicou que o maior interesse do PR sempre foi eleger uma grande bancada de deputados. O mesmo interesse dos demais, que viram a base de qualquer governo e ainda fazem o presidente da Câmara.

Neste contexto, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que queria apoio a Ciro, foi convencido e agora deve lutar para se eleger novamente deputado e chefe da Câmara.

Os partidos rejeitam a pecha de que estão negociando cargos, espaços ou verbas. Alegam que a demonstração disso é a escolha do empresário Josué Gomes para o cargo de vice.

— Alckmin está satisfeito que terá nosso apoio, está tudo praticamente certo. Agora, cada partido vai fazer seu dever de casa, conversar internamente — disse um dos dirigentes do “blocão”.

Antes do encontro com Alckmin, os partidos se reuniram e avaliaram que não era possível confiar em Ciro Gomes. Segundo um dos dirigentes, o comportamento de Ciro, sua verborragia foram cruciais para que o pêndulo voltasse a balançar para o lado de Alckmin. Os tucanos e parte do DEM armaram uma força-tarefa para reforçar esse entendimento de que Ciro Gomes não era confiável e que não tinha ” filtro”. Segundo um parlamentar experiente, “prevaleceu o bom senso”.

Eles não gostaram das declarações de Ciro sobre uma promotora e avaliaram que ele é “incontrolável”.

— Revertemos o jogo. Se fosse hoje, o anúncio seria de apoio a Alckmin — disse um integrante do DEM.

O chamado “blocão” foi uma articulação de Rodrigo Maia para reunir os partidos de centro e fazê-los ter um único candidato na eleição presidencial de 2018.

Comentários

  • bs | 20 jul 2018

    Meu Deus, o Brasil ta fud…..
    Com essa quadrilha no poder.

  • Rock | 20 jul 2018

    Os picaretas lotearam tudo o que é de responsabilidade do governo mas esqueceram de combinar com o povo.

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