Cícero Cattani
14 set 2018

Beto se cala, mas já tem gente na fila da delação


Já teriam mostrado vontade de colaborar os ex-secretários Deonilson Roldo (Comunicação e Chefia e Gabinete) e Ezequias Moreira (Cerimonial), além do amigo-empresário Jorge Atherino. 


Contraponto –

O ex-governador Beto Richa e a mulher, Fernanda, entraram mudos e saíram calados  da sessão de interrogatório a que foram chamados na manhã desta sexta-feira no Gaeco (Na foto de Alexandro Mazzo/GP,  eles se escondem no carro). Aconselhados por seus advogados, fizeram uso do direito ao silêncio. Com isto, não se incriminaram mais do que os termos da delação de Tony Garcia nem às provas colhidas pelo Ministério Público no decorrer do inquérito.

O mesmo comportamento, no entanto, tiveram outros dos 15 envolvidos e presos temporariamente pela Operação Radiopatrulha. Já teriam mostrado vontade de colaborar – isto é, de fazer delação que os premie com redução de penas ou perdão total – os ex-secretários Deonilson Roldo (Comunicação e Chefia e Gabinete) e Ezequias Moreira (Cerimonial), além do amigo-empresário Jorge Atherino.

O empresário Celso Frare, da locadora Ouro Verde, uma das empresas que locavam máquinas para a Patrulha do Campo e acusado de devolver propinas à organização criminosa supostamente comandada por Beto Richa, também já teria mostrado disposição de contar tudo o que sabe.

A questão é: o primeiro a delatar e fizer o relato mais completo e comprobatório terá mais chances que os demais de obter os prêmios. Os outros, se não acrescentarem fatos novos e se não mostrarem provas não conhecidas anteriormente, podem sair prejudicados.

Neste sentido, foi emblemático o caso do operador Lúcio Funaro, que prestava serviços para o deputado cassado Eduardo Cunha. Funaro foi rápido, fez revelações contundentes, enriqueceu seus depoimentos com provas – e hoje está sossegado cumprindo prisão domiciliar numa fazenda do interior de São Paulo. Cunha resistiu à oferta de delação, já foi condenado e cumpre prisão fechada em Pinhais.

Mantida esta “tradição”, vai se assistir agora a uma fila de delatores na Operação Rádio Patrulha. E será bom observar quem detém as informações mais amplas e tiver mais a perder se não abrirem o bico do tico-tico

Faça um Comentário