Cícero Cattani
13 maio 2018

Beto Richa sem escape: se fugir de Moro, Rosa Weber pega

Os advogados de Beto Richa buscam tirar das mãos de Sergio Moro o processo da Odebrecht. A defesa do tucano paranaense pediu ao STJ que o caso seja enviado para Justiça Eleitoral, como foi  com Geraldo Alckmin, também denunciado pelo crime de caixa dois da Odebrecht. Seria caso similar, portanto. Mas não é bem assim, garante  o vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia:  os processos dos ex-governadores tucanos no âmbito da delação da Odebrecht são “rigorosamente distintos” e por isso as investigações foram encaminhadas para diferentes esferas judiciais.

“Não havia com relação ao Alckmin nada além da referência à contribuição para a campanha eleitoral, o caixa 2″.  No caso de Richa, assegura Mariz Maia, “tem mais de uma situação. Havia alegação numa situação, alegação numa outra situação, e em cada uma delas se deu um tratamento específico com base no que estava diante dos nossos olhos”.

Isto é, no caso do tucano paulista não houve promessa de contrapartida, como fez  Richa ao assegurar a duplicação e cobrança de pedágio por 30 anos da PR 323 à construtora baiana. Os vídeos divulgados amplamente pelos telejornais da Globo e GloboNews confirmam o que disse Luciano Mariz de Maia.

Mariz de Maia comentou que Beto Richa  na Justiça Eleitoral seria investigado pela mesma Polícia Federal e pelo procurador eleitoral, que também é do MPF, como manda a Justiça Eleitoral.

Com a nova composição do Superior Tribunal Federal, em algum momento Beto Richa teria pela frente a ministra Rosa Weber, que assume a presidência em agosto, Edson Fachin e Luiz Roberto Barros, temidos no Supremo pelo rigor das posições em casos de corrupção envolvendo políticos.

Vai se deparar com o ministro  Og Fernandes, que passa a integrar a corte. Ele é o mesmo que já mandou investigar  Beto Richa no Superior Tribunal Federal. Já no dia 26 de abril, quando o ministro Og Fernandes,  encaminhou os inquéritos de Richa à Justiça Federal em Curitiba, o ex-governador reclamou.

Em outras palavras: Richa estaria trocando o temido Sergio Moro pelo rigor dos ministros do STJ. Sem chances.

O juiz Sergio Moro não perdeu tempo:  determinou que a Polícia Federal abra um inquérito contra o candidato ao Senado Beto Richa para apurar se houve favorecimento à construtora Odebrecht na licitação da PR-323, na região Noroeste do Paraná. Essa investigação foi assumida por Moro depois que Richa perdeu o foro privilegiado ao deixar o governo do Paraná. As informações são do portal G1, que teve acesso ao despacho sigiloso.

Segundo o site, o juiz deu prazo de 30 dias para que a PF e o Ministério Público Federal (MPF) deem continuidade às investigações.

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