Cícero Cattani
20 set 2018

Análise: Datafolha reabre a chance de ‘terceira via’ na eleição


Desempenho de Haddad e simulações de segundo turno podem recolocar Ciro na disputa


Por Pedro Dias Leite, O Globo

RIO — A pesquisa Datafolha divulgada neste madrugada indica, a pouco mais de duas semanas da eleição, uma última chance para uma terceira via, para além da polarização que parecia colocada entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

O primeiro dado a reforçar essa hipótese é o crescimento menos acentuado de Fernando Haddad (PT) do que na pesquisa do Ibope divulgada na terça-feira. O petista segue em trajetória de alta, mas não a ponto de se isolar no segundo lugar (no Ibope, tem 19%, enquanto no Datafolha chega a 16%).

A questão aqui é saber se Haddad continuará a subir na mesma velocidade e deixar Ciro Gomes (PDT) para trás ou se o ex-governador do Ceará mostrará resiliência para se colocar como alternativa ao petista para enfrentar Bolsonaro no segundo turno.

E é na rodada final que aparece a segunda boa notícia para Ciro. No confronto com o capitão reformado no segundo turno, ele vence por 45% a 39%, fora da margem de erro. No Ibope, havia um empate técnico entre os dois. Enquanto isso, tanto no Datafolha quanto no Ibope Haddad segue empatado com Bolsonaro.

As duas informações combinadas, de que Haddad não disparou no segundo lugar e de que o candidato do PDT tem mais chances do que o petista de bater Bolsonaro no segundo turno, podem recolocar Ciro na disputa. O ex-governador do Ceará pode se apresentar como a alternativa tanto para quem rejeita o bolsonarismo quanto para quem não quer a volta do petismo ao poder. Os próximos dias vão indicar se isso será suficiente para conter a polarização.

Se a possibilidade de uma “terceira via” pela esquerda ainda existe, no campo da centro-direita ela parece cada vez mais distante. Geraldo Alckmin (PSDB) manteve-se na casa do um dígito mesmo depois de 20 dias de presença maciça na televisão. Marina Silva (Rede) continua a derreter e tem menos da metade das intenções de voto que recebia quando a campanha começou.

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