Cícero Cattani
03 out 2018

Análise. Agora, Haddad tem que ser Haddad

Por Helena Chagas, Os Divergentes

Nas últimas três semanas, o PT viveu uma espécie de sonho dourado em que viu seu candidato subir vertiginosamente nas pesquisas, e chegou a alimentar esperanças de que Fernando Haddad ultrapassasse Jair Bolsonaro nas pesquisas nesta última semana – o que seria uma espécie de passaporte para o Planalto, já que, até hoje, quem chegou ao segundo turno na frente sempre venceu. Ao que parece, não será bem assim, e a estratégia está sendo revista.

Nada de surpreendente, já que as pesquisas que mostravam o ex-presidente Lula na liderança da corrida presidencial sempre apontaram que ele teria capacidade de botar um poste no segundo turno, com cerca de 20% das preferências. Nenhuma delas jamais apontou que o candidato de Lula iria muito além disso no primeiro turno – e isso já seria suficiente para chegar ao segundo, que todo mundo sabe quené uma nova eleição.

Então, o que está acontecendo agora pode ser um balde de água fria nos sonhos dos petistas mais entusiasmados, mas está do script desde o início. E, de certa forma, antecipa a estratégia planejada para o segundo turno, que tira Haddad da posição de mero tributário dos votos do criador e o transforma em protagonista da cena.

Além de bater em Bolsonaro, o que não precisou fazer até agora, chegou a hora de Haddad ser um pouco menos Lula e mais Haddad. O que quer dizer isso? Combater a onda antipetista mostrando que ele não é nenhum bicho-papão, mostrando-se ao público como ele é.

Talvez seja a hora de Haddad começar a fazer aquela inflexão ao centro que até agora nao foi necessária. Não para conquistar o mercado, mas para mostrar a uma fatia decisiva do eleitorado que não vai botar fogo no circo da economia. E para mostrar sua biografia de gestor sério e honesto, que sempre esteve fora de maracutaias e malfeitos.

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