– O deputado João Arruda, candidato ao Governo pelo MDB, tem no tempo o seu principal inimigo e, na relação parental com o senador Roberto Requião, uma incógnita que só vai se resolver na urna.

Ao assumir a candidatura a menos de dois meses da eleição, e pela pesquisa do IRG/Bem Paraná revelada esta madrugada, com 7,1%, Arruda ainda não teve tempo de se mostrar conhecido na maioria das regiões do estado e e terá dificuldades para se impor a ponto de ameaçar o nível de popularidade de um Ratinho Jr, por exemplo. E isso, mesmo com o MDB sendo o partido mais estruturado em termos de prefeitos e vereadores no Paraná.

No quesito Roberto Requião, de quem é sobrinho (é filho da irmã mais velha, Lúcia), João Arruda não compartilha o fervor pela Carta de Puebla e pelo socialismo na mesma proporção do tio famoso. Ao contrário, pode-se colocá-lo muito mais próximo das teses tucanas do que do MDB Velho de Guerra, o grito de força partidária há mais de 40 anos.

Isso significa, em tese, que o emedebista radical pode não encontrar em Arruda o usufrutuário dos votos que garantiram a vitoriosa carreira de Roberto Requião.

E as mesmas dúvidas que levaram o irmão de Alvaro Dias a retirar a candidatura com quase 30% de gente querendo votar nele, também valem para Arruda: a transferência de votos de tio para sobrinho, porque eis aí uma incógnita eleitoral difícil de resolver. E o próprio empenho de Roberto Requião em apostar, de corpo, alma e coração numa campanha eleitoral na qual não é o principal interessado.

Apesar da estrutura financeira e do partido com boa presença em todos os municípios do Paraná, a vida de João Arruda não está nada fácil.