Cícero Cattani
05 set 2018

Acordo ilícito de Deonilson, ex chefe de Gabinete do Richa

Por Malu Mazza e Aline Pavaneli, RPC Curitiba e G1 PR

Moro aceita denúncia, e 11 viram réus na Lava Jato por suspeita de irregularidades na licitação para duplicação da PR-323
Denúncia do MPF detalha crimes como corrupção ativa e passiva, fraude licitatória e lavagem de dinheiro.

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na 1ª instância, aceitou, nesta quarta-feira (5), uma denúncia contra 11 pessoas por suspeita de irregularidade na duplicação da PR-323, que liga Maringá, no norte do Paraná, a Francisco Alves, no noroeste do estado.

Os onze acusados se tornaram réus na Lava Jato e vão responder por crimes como corrupção ativa e passiva, fraude a licitação e lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o Grupo Odebrecht fez, no primeiro semestre de 2014, um acordo ilícito com Deonilson Roldo, então chefe de Gabinete do Governado do Estado do Paraná Beto Richa (PSDB), para que limitasse a concorrência na licitação da Parceria Público-Privada (PPP) para duplicação da PR-323.

Em contrapartida, a empreiteira pagaria R$ 4 milhões a Roldo e ao seu grupo, ainda conforme a denúncia. Lançamentos registrados no sistema de contabilidade informal da Odebrecht, mostram o pagamento de pelo menos R$ 3,5 milhões em espécie.

Veja quem são os réus e por quais crimes vão responder:

-Adolpho Julio da Silva Mello Neto, operador de mercado de câmbio negro: lavagem de dinheiro;
-Benedicto Barbosa da Silva Junior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura: lavagem de dinheiro;
-Deonilson Roldo, ex-chefe de Gabinete do ex-governador Beto Richa: fraude a licitação, lavagem de dinheiro e corrupção passiva;
-Fernando Migliaccio da Silva, responsável pelo setor de Operações Estruturadas da Odebrecht: lavagem de dinheiro;
-Luciano Ribeiro Pizzatto, ex-diretor de contratos da Odebrecht em Curitiba: fraude a licitação, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
-Luiz Antônio Bueno Junior, ex-diretor-superintendente da Odebrecht das regiões São Paulo-Sul: fraude a licitação, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
-Luiz Eduardo Soares, responsável pelo setor de Operações Estruturadas da Odebrecht: lavagem de dinheiro;
-Jorge Theodócio Atherino, empresário e amigo de Beto Richa: lavagem de dinheiro e corrupção passiva;
-Maria Lucia Tavares, responsável pelo setor de Operações Estruturadas da Odebrecht: lavagem de dinheiro;
-Olívio Rodrigues Junior, controlava contas secretas da Odebrecht no exterior: lavagem de dinheiro;
-Álvaro José Galliez Novis, operador de mercado de câmbio negro: lavagem de dinheiro.

Moro diz na decisão que mesmo com indícios do envolvimento de outros agentes nos crimes, “é razoável o oferecimento da peça em relação aqueles para os quais há melhor prova, sem detrimento da continuidade da investigação”.

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