Segundo o coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público (Caop), Arion Rolim Pereira, não havia antes da reportagem de Veja qualquer investigação contra o prefeito por parte do MP. “Não havia nenhum procedimento instaurado no MP em relação a esses fatos”, disse. Segundo a Gazeta, a matéria da revista Veja diz que o enriquecimento de Ducci teria chamado a atenção do órgão e que um inquérito seria instalado na próxima semana. Rolim negou, também, que a revista tenha entrado em contato com o órgão. O procurador disse que o material entregue pelo prefeito Luciano Ducci, nesta segunda, com pedido que seja investigado será analisado deverá em até 30 dias. Ele disse que o procedimento deve correr sigilosamente.
Enquanto aguardavam o final do encontro do PCdoB, no Hotel Elo, partidários de Ratinho Jr e jornalistas avaliavam que seria ele e não Gustavo Fruet o maior beneficiário da reportagem de Veja sobre a evolução patrimonial de Luciano Ducci. Até Rafael Greca veria fortalecida sua candidatura pelo PMDB. Argumentos não faltam: O maior adversário de Ducci na zona sul da cidade é o Ratinho. E é lá que vai ser decidido quem vai para o segundo turno. Qualquer crescimento de Júnior na região inviabilizaria Luciano. Os estragos da Veja seriam mais sentidos por uma população que tem em Ducci exemplo de político imune à onda de denúncias de corrupção que vem ganhando volume a partir de Brasília. Pesquisa encomendado ao DataSensu, em campo até terça, poderia captar essa decepção.
Entre os requianistas, há uma certeza caso o time pró-Ducci vença a convenção do dia 23: Roberto Requião vai apoiar o Ratinho Júnior. A lógica se sustenta pelo fato que os dois coordenadores do candidato do PSC são antigos aliados de Requião, e continuam no PMDB. Marcelo Almeida e Renato Adur ocuparam cargos no primeiro escalão do governo e sempre estiveram próximos dele. Ratinho Jr é lembrado pelo apoio dado à campanha do Senado. O ex-governador, através do Twitter, vem sinalizando seu distanciamento de Luciano Ducci, com postagens da reportagem da revista Veja sobre a rápida evolução patrimonial do prefeito, de onde manda o recado: “PSB e PSDB em desespero querem comprar a convenção do PMDB em Curitiba. Ducci, Derosso e Beto, não estamos à venda”.
“Lula já está na casa de Paulo Maluf nos Jardins para selar o acordo PT-PP para apoiar Fernando Haddad à prefeitura”, a postagem é da Cristiane Lobo. O que uma campanha eleitoral não faz. Durante 30 anos, Paulo Maluf foi a principal bandeira do petismo em sua cruzada pela ética e moralização dos costumes políticos. No mesmo Twitter, Zé Dirceu defende aliança PT/PP: são “alianças eleitorais que não definem o governo e muito menos a natureza do programa ou exercício do poder”. É parangolé eleitoral. A dança do balacubado. O vale tudo pela vitória.
A revista Veja com a “denúncia” da evolução patrimonial do prefeito, fez Luciano Ducci antecipar sua entrada na campanha eleitoral, prevista para dia 30 de junho, quando a candidatura será homologada pelo PSB e com seu vice conhecido. Já na manhã de chuvosa desta segunda, como um cidadão de bem, foi ao procurador-geral Gilberto Giacóia pedir que apure o noticiado pela revista, seguro que nada existe contra ele que o desabone. Na verdade, a Veja arrolou um amontoado de diz-que-diz-que e propiciou ao prefeito uma rara oportunidade de pôr tudo em pratos limpos. A Veja vem claudicando nos últimos tempos. Seu “bom jornalismo” ficou mais desmoralizado quando se soube que o bicheiro Carlinhos Cachoeira era seu mais importante informante, aquele que alimentava os “escândalos” que agitavam o mundo político. “Mais do que nunca, sou um supercandidato”, proclama Ducci, certo que o tiro do adversário interessado na publicação saiu pela culatra. Pergunta que fica: Quem teria sido o Carlinhos Cachoeira da denúncia contra Ducci?
